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Monday, August 24, 2015

A crise financeira

Há um ponto forte, embora também fraco, no sistema financeiro internacional. Chama-se o “credor de último recurso”. Este credor é o que no fim de contas paga pelas asneiras do sistema financeiro. Porque asneiras, são o que fazem as crises.
 
Quando um banco privado se torna insolvente há sempre um banco nacional central que injeta dinheiro. Mas este não é o credor de último recurso.
 
Quando um banco nacional não tem mais dinheiro há sempre sistemas bancários supranacionais (BCE, BM, FMI) que emprestam dinheiro para tapar os buracos no balancete. Mas estes também não são os credores de último recurso.
 
Quando os empréstimos supranacionais têm de ser pagos, então os bancos nacionais, através dos seus respetivos governos, põem em ação os “credores de último recurso”. E estes são os contribuintes que não têm outra alternativa senão pagar pelas asneiras dos outros.
 
Enquanto os contribuintes continuarem a ser os “credores indefesos de último recurso” não veremos o fim desta charada… chamemos-lhe o que quisermos… mas tipicamente esta charada é pomposamente chamada de sistema financeiro internacional.

Wednesday, January 1, 2014

Confiança no país que queremos

Para construirmos o país que queremos para nós, para os nossos filhos e para os nossos netos precisamos de construir a nossa confiança entre os cidadãos. Um país onde os cidadãos não confiam uns nos outros não possui capital social suficientemente forte para resistir às investidas de quem não tem o bem-estar dos cidadãos como um objectivo.
 
Uma forte confiança entre os cidadãos é necessária para se construirem instituições que funcionem em benefício da sociedade. Hoje Portugal demonstra uma grande falta de confiança institucional

Estas faltas de confiança interpessoal e institucional não estão a ajudar o país a ser o país que queremos para nós, para os nossos filhos e para os nossos netos.

2014 é um Bom Ano para começarmos a mudar.

Sunday, December 29, 2013

Temos de quebrar o nosso ciclo vicioso

Sabemos que há hoje muita coisa que não está bem.  E aquilo que ainda está bem continuamos a perder.  Perdemos produtividade, perdemos competitividade, perdemos mercados, perdemos postos de trabalho, perdemos reformas, direitos adquiridos pelos quais muita gente trabalhou uma vida para conseguir. Perdemos regalias e benefícios que noutros países são considerados como parte integral da condição humana como cidadãos desses países e como Europeus. Perdemos bem-estar social, perdemos gente nova que parte, perdemos o capital social de que o país precisa para ser melhor do que é, o que não é difícil, diga-se de passagem, dado ao estado em que as coisas estão agora nos fins de 2013.

Estas perdas definem sem dúvida uma crise.  Não só económica como também social.  Mas aquela a que chamamos de crise atual só veio trazer à superfície a outra crise que já há muito germinava escondidamente à vista de todos.  Essa crise que já germinava à vista de todos vem de cá de dentro do nosso país há muitos anos e com muitos contribuintes.  É uma crise muito mais nefasta e de muito longa vida.

O que nos faz colocar a pergunta crucial - conseguiremos mudar o que não está bem?

Acredito que sim. Mas para mudar o que não está bem precisamos de partir da nossa atual posição de queixume para uma posição de resolução do problema. Precisamos de definir o que queremos que seja este país daqui a 5, 10, 20 anos.

Todos temos de olhar para o horizonte e perguntarmo-nos – que país queremos nós para os nossos filhos, e para os filhos dos nossos filhos, para os nossos netos?

  • Queremos um país que é conhecido mundialmente através da Transparência Internacional por ter índices de corrupção nada desejáveis? 
  • Queremos um país onde o setor informal, as atividades que fogem aos impostos, seja tão alta? 
  • Queremos um país onde a justiça, quando funciona, é só para os ricos? Ou apenas para as grandes empresas? 
  • Queremos um país onde os contribuintes pagam os impostos e as empresas e os políticos fogem ao fisco? 
  • Queremos um país onde abrir uma nova empresa necessita de cunhas e padrinhos? 
  • E que investidores queremos? 
  • Queremos os investidores das grandes superfícies que trazem postos de trabalho de salário mínimo? 
  • Ou queremos investidores com a mentalidade dos Mondragon do País Basco? 
  • Queremos investidores de países mais corruptos do que nós? 
  • Ou queremos investimentos de países onde a honestidade prevalece? 
  • Queremos um país onde as escolas estão sempre a perder recursos? 
  • Queremos um país que cria profissionais mas não lhes dá oportunidades fazendo-os emigrar? 
  • Queremos um país onde os idosos, (nós quando chegar a nossa vez), vivem no banco do jardim ou do café, longe dos cidadãos mais jovens, à espera da morte? 
  • Queremos um país com um dos melhores climas da Europa e com as habitações doentiamente menos confortáveis? Construídas ainda por profissionais do século passado? Com materiais e técnicas do século anterior a esse?
Que país queremos?

É por aqui que precisamos de começar. Faienas inúteis como a que o Sr. Silva patrocinou há umas semanas em Cascais não nos levam a lado nenhum. Para esta conferência foram convidados empresários de ascendência Portuguesa bem sucedidos em cerca de 50 países no mundo. A estes empresários foi pedido que falassem bem de Portugal porque Portugal não era assim tão mau como o pintam.

E eu fiquei a pensar. Estes empresários foram embora de Portugal porque lá fora encontraram um clima mais favorável para as suas actividades. Lá fora fizeram o seu sucesso. E é a esses que estamos a pedir que falem bem de Portugal? Com que moral pode um empresário destes fazer isso no país onde se radicou? Expliquem-me porque eu não percebo! Juro que não percebo.

Todos estes fatores estão interligados. Se queremos trazer para o nosso país investimentos onde prevaleça a honestidade, investimentos de países Europeus ou nórdicos, onde os índices de corrupção são muito mais baixos do que os nossos, onde a economia é mais formal e menos por baixo da mesa, onde não se pratica a fuga ao fisco como cá, onde a justiça funciona e é célere, então temos de mostrar que somos, como país, credíveis e de confiança. E isso mostra-se fazendo o que é necessário para que os índices deixem de enterrar o país aos olhos estrangeiros em vez de passarmos horas a fio nos cafés argumentando que esses índices são suspeitos.

Se queremos investimentos vindos de países onde se pratica tudo isto e com mais esmero e até com mais requintes de malvadez do que nós praticamos, então estamos no caminho certo. Não acho que esse caminho seja bom, mas para este objectivo, é o caminho certo.

Eu não tenho gostado de ver este país cair no lodo em que está. Mas não é criticando e identificando os problemas que sairemos desse lodo. Essa parte, a definição do problema está mais que feita. Agora é altura de decidirmos que país queremos para daqui a 1 ano, 5, 10, 20 anos, e assim definir as iniciativas que têm de receber a nossa atenção e diligência.

Uma vez definidas as iniciativas, é uma questão de pormos mãos à obra. Os governantes des-governados que temos não sobreviverão neste país!

Mas temos de definir que país queremos para daqui a 1, 5, 10, 20 anos.

2014 é um Bom Ano para começarmos.

Saturday, December 1, 2012

Movimento, reunião, acção!

Chega de reuniões! Vamos à acção!
 
Já temos as definições todas. As dos problemas e as das soluções.
 
Vamos à acção para a qual é preciso angariar os recursos apropriados ao problema em mãos. O povo só não chega. Demonstrações de rua só não chegam.
 
Vamos angariar os juristas que possam criar as acções parlamentares
, as acções jurídicas, as acções fiscais para parar esta chuchadeira.
 
Vamos buscar os líderes sociais para criarem as acções sociais e individuais, as acções de resistência passiva que ponha as pessoas no "driver's seat", em vez de andarmos todos a refilar pendurados no rabo do touro.
 
Vamos executar as acções individuais, bem publicitadas, como não trocar de carro para não gastar divisas, andar 20km/h mais devagar nas autoestradas para não comprar petróleo, apagar as luzes 1 hora mais cedo todos os dias para o mesmo fim, comprar legumes na praça em vez de os comprar no super, não usar sacos de plástico (ponto final!), etc, etc.

E mais outras tantas iniciativas individuais que cada um de nós tem a obrigação, como cidadãos, de criar. 
 
Onde andam esses apelos? Apelos à acção!
 
Apelos a mais reuniões para nos convencermos ainda mais que temos muito mais para fazer? Já não vou mais a essas. 
 
Quero participar nos planos de acção!

Inspira-me a lembrança do cartaz montado perto da barragem do Alqueva, que já tinha um plano desde os anos 60 - Construam, porra!

E quando me perguntam - e você o que tem feito?
Estarei a responder orgulhosamente - já faço!
 
Mas em vez de copiarem, riem-se de mim.
 
É este o "point of the situation".
Precisamos de planos concretos de acção individual e social.
Porque toda a gente já concorda que temos de agir.

Tuesday, October 23, 2012

Carta aberta a Angela Merkel

Dear Chancellor,

I am taking the liberty to address this open letter to you in anticipation of your visit to my country, Portugal, on the 12th of November.

I am sure your staff has prepared you well for this trip, but I would like to take this opportunity to express my views as a citizen of my country and as a citizen of our European project.

Many of my compatriots are eager to demonstrate against you and your position with respect to our debt and our financial position as a country. I can understand their anger, their frustration, and their desire for justice or even vengeance. I am asking for your help. I am asking you to walk, just for a day, in the shoes of a swelling number of my compatriots whose needs I am describing below.

We are all very well aware that Portugal has overspent well beyond its means to pay. And that Portugal has grossly misused funds that were available to us for very noble and worthy purposes.

But I would like to let you know that this Portugal I just mentioned is not the Portugal to which I belong. The Portugal I belong to, with many other of my loyal compatriots, has not spent over its ability to pay, and when this Portugal I belong to has borrowed, it has always paid with interest, in full and on time.

But even so, the Portugal that I belong to has been grossly ignored and has now been asked to pay the debt of the few who scandalously and wrongfully gained from all of the above misdeeds, and who are now spreading the debt to anyone in sight. But mostly the poor among us, making them even poorer.

And so, this Portugal that I belong to, instead of having hope in the future, looking forward to a new era, and becoming a strong and valuable partner in the European consortium, is walking around angry, demotivated and in mourning as the country is plundered, destroyed and reduced to cinders.

Examples of this destruction is now seen in the soup kitchens that grow in numbers and feed more and more people every day. These same soup kitchens now have waiting lists that grow longer every day.

This same Portugal has, over the more recent past, reduced its purchases at the supermarket. It used to buy meat, but reduced these purchases to pork. But even these have already been reduced to poultry. And many are now only eating sausages, if that much. This is visible in the most recent statistics.

In this same Portugal, where taxes are reaching a scandalous imbalance, the rich are getting richer, the poor are getting poorer and those in between are finding more and more in common with the poor. In this Portugal I am describing to you, more and children are getting to school without eating breakfast. More and more people, mostly the older people, are returning home from the pharmacy with only part of the prescription because they cannot afford to pay for all of the medication they need.

But, in this same Portugal, the rich, the governing elites and the corrupt influence peddlers are getting richer by the day, and more hated as the days go by. In the meantime, the superfluous official expenditures and benefits are being preserved. While government employees are being let go in the most important functions to society, such as education and the health services. There are many examples of Health Centers without bandages, syringes or surgical gloves.

There is more crime, more shoplifting, more violence, more distrust, among citizens and with respect to the institutions. There is less investment, less innovation, less entrepreneurship. More and more enterprises are declaring bankruptcy. And many individuals too. Every day that goes by our capacity to function as a peer within the European Community is being reduced. I would say, destroyed. The rupture in the social fabric is becoming scary to us all.

With all this there is less and less capability to pay for our past sins and misdeeds. There is a very strong mistrust in our government leaders.

I am not sure what has transpired at your level about my country. I have a strong feeling it is not the whole truth or even the truth. I have a strong belief that we are not headed in the right direction and that your office has not been well informed by the offices of my country.

There is a generalized feeling of revolt against the "Troika". But I think it is a derivative of our aversion to the measures and attitudes of our government who is seen as a team of puppets with no political savvy and negotiating skills.

There is a strong feeling among my Portuguese compatriots that Portugal should not pay its debt. But whether that is right or just, I do fear that Portugal, the way it is going, will not be able to pay its debt, regardless of whether it is right or just.

I would like to add, as a closing remark, that I do know I am not alone in my feelings, beliefs and convictions.

Thank you very much for your time and consideration.

Best regards,

Sunday, October 7, 2012

Portugal habituou-se...

Citação - “Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”.
   
É muito revoltante esta incessante privatização das capitalizações e esta democratização das dívidas... 

A essa do "Portugal habituara-se..." pergunto, "quem" em Portugal se habituou?

Esta pergunta necessita de resposta urgente! E esses "quem" que paguem! Eu não faço parte desses "quem".
  
Eu, não faço parte desse Portugal! 

Eu pertenço a outro Portugal! Eu pertenço ao Portugal de gente honesta que sempre trabalhou pelo que tem, e quando pediu emprestado, pagou com juros, a tempo e horas. Portanto, o "Portugal que se habituara..." então que pague!  O Portugal a que eu pertenço não tem nada a pagar!
  
Revolta-me sobremaneira esta constante e insolente democratização das asneiras cometidas por incompetentes gananciosos e irresponsáveis.
   

Para onde vamos...

Desabafo!
 
O primeiro ministro afirmou que este des-doverno sabe para onde vai.
Além de eu saber bem para onde deveriam ir, não acredito que saiba para onde vamos nem para onde devemos rumar.

 
Este des-governo não tem objectivos! 

Por isso não pode saber para onde vai.
 
Os polícias já não têm dinheiro. Esta é a última!
Os velhos não têm reformas. Tiraram-lhas.
A educação perde recursos. Tiraram-lhe.
A saúde perde capacidades. Tiraram-lhe.
A sociedade sente-se mal. Por falta de confiança no des-governo.
As despesas do estado não param. Ainda têm as benesses.
A economia perde poder de compra. Baixaram os salários.
Os impostos sobem. Para pagar as dívidas dos banqueiros.
As receitas baixam. Porque assim não podem subir.
E sabe para onde vai? Não sabe!
Pois deve saber. Para o fundo!
Mas não é para aí que devemos ou queremos ir! Sabia?
Será que o primeiro ministro sabe disso? Não sabe!
Tal como não sabe para onde devemos ir. Nunca soube!
Nem como lá chegar!

  
Mais uma vez mente aos portugueses!