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Wednesday, January 1, 2014

Confiança no país que queremos

Para construirmos o país que queremos para nós, para os nossos filhos e para os nossos netos precisamos de construir a nossa confiança entre os cidadãos. Um país onde os cidadãos não confiam uns nos outros não possui capital social suficientemente forte para resistir às investidas de quem não tem o bem-estar dos cidadãos como um objectivo.
 
Uma forte confiança entre os cidadãos é necessária para se construirem instituições que funcionem em benefício da sociedade. Hoje Portugal demonstra uma grande falta de confiança institucional

Estas faltas de confiança interpessoal e institucional não estão a ajudar o país a ser o país que queremos para nós, para os nossos filhos e para os nossos netos.

2014 é um Bom Ano para começarmos a mudar.

Sunday, December 29, 2013

Temos de quebrar o nosso ciclo vicioso

Sabemos que há hoje muita coisa que não está bem.  E aquilo que ainda está bem continuamos a perder.  Perdemos produtividade, perdemos competitividade, perdemos mercados, perdemos postos de trabalho, perdemos reformas, direitos adquiridos pelos quais muita gente trabalhou uma vida para conseguir. Perdemos regalias e benefícios que noutros países são considerados como parte integral da condição humana como cidadãos desses países e como Europeus. Perdemos bem-estar social, perdemos gente nova que parte, perdemos o capital social de que o país precisa para ser melhor do que é, o que não é difícil, diga-se de passagem, dado ao estado em que as coisas estão agora nos fins de 2013.

Estas perdas definem sem dúvida uma crise.  Não só económica como também social.  Mas aquela a que chamamos de crise atual só veio trazer à superfície a outra crise que já há muito germinava escondidamente à vista de todos.  Essa crise que já germinava à vista de todos vem de cá de dentro do nosso país há muitos anos e com muitos contribuintes.  É uma crise muito mais nefasta e de muito longa vida.

O que nos faz colocar a pergunta crucial - conseguiremos mudar o que não está bem?

Acredito que sim. Mas para mudar o que não está bem precisamos de partir da nossa atual posição de queixume para uma posição de resolução do problema. Precisamos de definir o que queremos que seja este país daqui a 5, 10, 20 anos.

Todos temos de olhar para o horizonte e perguntarmo-nos – que país queremos nós para os nossos filhos, e para os filhos dos nossos filhos, para os nossos netos?

  • Queremos um país que é conhecido mundialmente através da Transparência Internacional por ter índices de corrupção nada desejáveis? 
  • Queremos um país onde o setor informal, as atividades que fogem aos impostos, seja tão alta? 
  • Queremos um país onde a justiça, quando funciona, é só para os ricos? Ou apenas para as grandes empresas? 
  • Queremos um país onde os contribuintes pagam os impostos e as empresas e os políticos fogem ao fisco? 
  • Queremos um país onde abrir uma nova empresa necessita de cunhas e padrinhos? 
  • E que investidores queremos? 
  • Queremos os investidores das grandes superfícies que trazem postos de trabalho de salário mínimo? 
  • Ou queremos investidores com a mentalidade dos Mondragon do País Basco? 
  • Queremos investidores de países mais corruptos do que nós? 
  • Ou queremos investimentos de países onde a honestidade prevalece? 
  • Queremos um país onde as escolas estão sempre a perder recursos? 
  • Queremos um país que cria profissionais mas não lhes dá oportunidades fazendo-os emigrar? 
  • Queremos um país onde os idosos, (nós quando chegar a nossa vez), vivem no banco do jardim ou do café, longe dos cidadãos mais jovens, à espera da morte? 
  • Queremos um país com um dos melhores climas da Europa e com as habitações doentiamente menos confortáveis? Construídas ainda por profissionais do século passado? Com materiais e técnicas do século anterior a esse?
Que país queremos?

É por aqui que precisamos de começar. Faienas inúteis como a que o Sr. Silva patrocinou há umas semanas em Cascais não nos levam a lado nenhum. Para esta conferência foram convidados empresários de ascendência Portuguesa bem sucedidos em cerca de 50 países no mundo. A estes empresários foi pedido que falassem bem de Portugal porque Portugal não era assim tão mau como o pintam.

E eu fiquei a pensar. Estes empresários foram embora de Portugal porque lá fora encontraram um clima mais favorável para as suas actividades. Lá fora fizeram o seu sucesso. E é a esses que estamos a pedir que falem bem de Portugal? Com que moral pode um empresário destes fazer isso no país onde se radicou? Expliquem-me porque eu não percebo! Juro que não percebo.

Todos estes fatores estão interligados. Se queremos trazer para o nosso país investimentos onde prevaleça a honestidade, investimentos de países Europeus ou nórdicos, onde os índices de corrupção são muito mais baixos do que os nossos, onde a economia é mais formal e menos por baixo da mesa, onde não se pratica a fuga ao fisco como cá, onde a justiça funciona e é célere, então temos de mostrar que somos, como país, credíveis e de confiança. E isso mostra-se fazendo o que é necessário para que os índices deixem de enterrar o país aos olhos estrangeiros em vez de passarmos horas a fio nos cafés argumentando que esses índices são suspeitos.

Se queremos investimentos vindos de países onde se pratica tudo isto e com mais esmero e até com mais requintes de malvadez do que nós praticamos, então estamos no caminho certo. Não acho que esse caminho seja bom, mas para este objectivo, é o caminho certo.

Eu não tenho gostado de ver este país cair no lodo em que está. Mas não é criticando e identificando os problemas que sairemos desse lodo. Essa parte, a definição do problema está mais que feita. Agora é altura de decidirmos que país queremos para daqui a 1 ano, 5, 10, 20 anos, e assim definir as iniciativas que têm de receber a nossa atenção e diligência.

Uma vez definidas as iniciativas, é uma questão de pormos mãos à obra. Os governantes des-governados que temos não sobreviverão neste país!

Mas temos de definir que país queremos para daqui a 1, 5, 10, 20 anos.

2014 é um Bom Ano para começarmos.

Thursday, August 8, 2013

História de Portugal em poucas palavras

Desde sempre que Portugal foi "des" governado por "elites" de gananciosos que exploraram o povo para se encherem.
 
Isso aconteceu no tempo das conquistas, no tempo das descobertas, no tempo da presença em África, no tempo do Estado Novo, e agora, no tempo do pós 25 de Abril.
 
A única diferença está no nível de riquezas disponíveis para explorar em cada uma dessas épocas, e na cor da pele dos explorados. 
 
Essas "elites" nunca quiseram criar um país onde houvesse oportunidade para inovação, para criatividade, para desenvolvimento, para o bem estar e orgulho do povo.
 
Tudo tem girado à volta do enriquecimento de uns poucos, e todos quantos têm oportunidade ou estômago para isso, encostam-se ao sistema para se encherem.

Extraído de História de Portugal em poucas palavras (um livro que não existe).
 

Tuesday, July 16, 2013

O nosso Portugal pequenino...

Vim da rua chateado! Irritado é mais o termo!
 
Na TV havia notícias tristes, crassas, que causavam raiva, e estúpidas, vindas de cérebros reptilianos, o normal. Mas o que me irritou solenemente foi ouvir de novo o reporter a falar de Portugal assim:
 
- somos um país pequeno mas... blah, blah... mas...
  
Afinei mesmo! Estou farto dessa do "Portugal é um país pequeno...".
 
Oh "meninos dos media", mais pequenos que nós são, por exemplo, Taiwan, a Hungria, a Austria, a Irlanda, a Dinamarca, a Suiça, a Holanda, a Bélgica, Israel, o Luxemburgo... e há muitos mais.
  
Já chega deste encosto do "Portugal pequenino"!
 
Portugal não é o único país pequenino. Pequenino é o cérebro dessa gente que se encosta e esconde por trás do "Portugal pequenino...".
 
Chega, gente! Chega dessas desculpas construidas pelos meninos da instrução primária!
 
Já alguma vez ouviram nas notícias de outros países, por exemplo na Dinamarca, o reporter a dizer: Er en lille smule land... pô!
  
p.s. E não contei com a superfície de água, só terra firme, OK?

Saturday, December 1, 2012

Movimento, reunião, acção!

Chega de reuniões! Vamos à acção!
 
Já temos as definições todas. As dos problemas e as das soluções.
 
Vamos à acção para a qual é preciso angariar os recursos apropriados ao problema em mãos. O povo só não chega. Demonstrações de rua só não chegam.
 
Vamos angariar os juristas que possam criar as acções parlamentares
, as acções jurídicas, as acções fiscais para parar esta chuchadeira.
 
Vamos buscar os líderes sociais para criarem as acções sociais e individuais, as acções de resistência passiva que ponha as pessoas no "driver's seat", em vez de andarmos todos a refilar pendurados no rabo do touro.
 
Vamos executar as acções individuais, bem publicitadas, como não trocar de carro para não gastar divisas, andar 20km/h mais devagar nas autoestradas para não comprar petróleo, apagar as luzes 1 hora mais cedo todos os dias para o mesmo fim, comprar legumes na praça em vez de os comprar no super, não usar sacos de plástico (ponto final!), etc, etc.

E mais outras tantas iniciativas individuais que cada um de nós tem a obrigação, como cidadãos, de criar. 
 
Onde andam esses apelos? Apelos à acção!
 
Apelos a mais reuniões para nos convencermos ainda mais que temos muito mais para fazer? Já não vou mais a essas. 
 
Quero participar nos planos de acção!

Inspira-me a lembrança do cartaz montado perto da barragem do Alqueva, que já tinha um plano desde os anos 60 - Construam, porra!

E quando me perguntam - e você o que tem feito?
Estarei a responder orgulhosamente - já faço!
 
Mas em vez de copiarem, riem-se de mim.
 
É este o "point of the situation".
Precisamos de planos concretos de acção individual e social.
Porque toda a gente já concorda que temos de agir.

Tuesday, October 23, 2012

Carta aberta a Angela Merkel

Dear Chancellor,

I am taking the liberty to address this open letter to you in anticipation of your visit to my country, Portugal, on the 12th of November.

I am sure your staff has prepared you well for this trip, but I would like to take this opportunity to express my views as a citizen of my country and as a citizen of our European project.

Many of my compatriots are eager to demonstrate against you and your position with respect to our debt and our financial position as a country. I can understand their anger, their frustration, and their desire for justice or even vengeance. I am asking for your help. I am asking you to walk, just for a day, in the shoes of a swelling number of my compatriots whose needs I am describing below.

We are all very well aware that Portugal has overspent well beyond its means to pay. And that Portugal has grossly misused funds that were available to us for very noble and worthy purposes.

But I would like to let you know that this Portugal I just mentioned is not the Portugal to which I belong. The Portugal I belong to, with many other of my loyal compatriots, has not spent over its ability to pay, and when this Portugal I belong to has borrowed, it has always paid with interest, in full and on time.

But even so, the Portugal that I belong to has been grossly ignored and has now been asked to pay the debt of the few who scandalously and wrongfully gained from all of the above misdeeds, and who are now spreading the debt to anyone in sight. But mostly the poor among us, making them even poorer.

And so, this Portugal that I belong to, instead of having hope in the future, looking forward to a new era, and becoming a strong and valuable partner in the European consortium, is walking around angry, demotivated and in mourning as the country is plundered, destroyed and reduced to cinders.

Examples of this destruction is now seen in the soup kitchens that grow in numbers and feed more and more people every day. These same soup kitchens now have waiting lists that grow longer every day.

This same Portugal has, over the more recent past, reduced its purchases at the supermarket. It used to buy meat, but reduced these purchases to pork. But even these have already been reduced to poultry. And many are now only eating sausages, if that much. This is visible in the most recent statistics.

In this same Portugal, where taxes are reaching a scandalous imbalance, the rich are getting richer, the poor are getting poorer and those in between are finding more and more in common with the poor. In this Portugal I am describing to you, more and children are getting to school without eating breakfast. More and more people, mostly the older people, are returning home from the pharmacy with only part of the prescription because they cannot afford to pay for all of the medication they need.

But, in this same Portugal, the rich, the governing elites and the corrupt influence peddlers are getting richer by the day, and more hated as the days go by. In the meantime, the superfluous official expenditures and benefits are being preserved. While government employees are being let go in the most important functions to society, such as education and the health services. There are many examples of Health Centers without bandages, syringes or surgical gloves.

There is more crime, more shoplifting, more violence, more distrust, among citizens and with respect to the institutions. There is less investment, less innovation, less entrepreneurship. More and more enterprises are declaring bankruptcy. And many individuals too. Every day that goes by our capacity to function as a peer within the European Community is being reduced. I would say, destroyed. The rupture in the social fabric is becoming scary to us all.

With all this there is less and less capability to pay for our past sins and misdeeds. There is a very strong mistrust in our government leaders.

I am not sure what has transpired at your level about my country. I have a strong feeling it is not the whole truth or even the truth. I have a strong belief that we are not headed in the right direction and that your office has not been well informed by the offices of my country.

There is a generalized feeling of revolt against the "Troika". But I think it is a derivative of our aversion to the measures and attitudes of our government who is seen as a team of puppets with no political savvy and negotiating skills.

There is a strong feeling among my Portuguese compatriots that Portugal should not pay its debt. But whether that is right or just, I do fear that Portugal, the way it is going, will not be able to pay its debt, regardless of whether it is right or just.

I would like to add, as a closing remark, that I do know I am not alone in my feelings, beliefs and convictions.

Thank you very much for your time and consideration.

Best regards,

Sunday, October 7, 2012

Portugal habituou-se...

Citação - “Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”.
   
É muito revoltante esta incessante privatização das capitalizações e esta democratização das dívidas... 

A essa do "Portugal habituara-se..." pergunto, "quem" em Portugal se habituou?

Esta pergunta necessita de resposta urgente! E esses "quem" que paguem! Eu não faço parte desses "quem".
  
Eu, não faço parte desse Portugal! 

Eu pertenço a outro Portugal! Eu pertenço ao Portugal de gente honesta que sempre trabalhou pelo que tem, e quando pediu emprestado, pagou com juros, a tempo e horas. Portanto, o "Portugal que se habituara..." então que pague!  O Portugal a que eu pertenço não tem nada a pagar!
  
Revolta-me sobremaneira esta constante e insolente democratização das asneiras cometidas por incompetentes gananciosos e irresponsáveis.
   

Sunday, September 16, 2012

Fui à manifestação... e vi gente deliciosa!

De tudo o que vi ficaram-me de exemplo alguns em especial...
  
   
... também aqueles que os pais levaram consigo...
  

.. e que lá estiveram a cantar e a bater palmas...  

 

... e os que os pais levaram consigo para não faltarem à manifestação.
 





Friday, June 8, 2012

O país do “não”


Há um país, não muito longínquo, cujo nome, traduzido para portugês, é “o país do não”. Nome estranho este, não é? Mas é assim. O país do “não”.
  
É um país, na realidade, onde todas as afirmações são respondidas com um “não” enfático. Depois disso seguem-se respostas mais ou menos relacionadas com as afirmações iniciais mas sempre com um “não” em cada frase. Daí o nome do país. Na realidade eu chamar-lhe-ia “o país dos surdos” porque pareceu-me que as pessoas nem ouviam a afirmação inicial. Apenas se concentram no ripostar negativo.
 
Muito estranho este hábito. Mas, realmente, não admira que o país tenha adquirido aquele nome, “o país do não”. Não se sabe bem se foram os nativos que escolheram o nome ou se lhe foi dado por algum invasor de outros tempos. O que é certo é que o nome aplica-se bem.
 
Para compreender bem esta curiosidade preciso de dar uns exemplos.
  
Uma pessoa diria, por exemplo, que o carro do vizinho estava lavadinho e todo brilhante. A primeira resposta poderia ser – ah, mas aquilo “não” é novo! Aquilo ele comprou numa sucata qualquer e depois mandou pintar. Está bem, responderia eu, mas eu não disse que era novo. Eu disse apenas que estava lavado e brilhante. Tarde teria eu piado. A conversa já teria desmoronado e não haveria saída para a conversa do “não é novo”. Diram também que fui eu que dei a entender que... e embora eu pudesse repetir o que disse ou tivesse deixado de dizer, o que é certo é que já não haveria retorno para uma discussão sobre o que eu disse ou não disse e como disse. Mas nada a ver com o carro estar lavadinho. Este conceito já se teria perdido pelo caminho.

Não sei se os tempos dos verbos desta frase estão todos como deve ser, mas espero que dê para entender o exemplo.

Vou dar outro exemplo. Passou-se num café onde afirmei, por graça, que agora com o calor e com as chuvas tardias tinhamos de ter muito cuidado com os plasmódios voadores da malária porque estes poderiam entrar-nos pelos ouvidos e lá vamos nós de cama com umas febres que não têm graça nenhuma. Ouvi imediatamente que “não”, os plasmódios não voam, muito menos os da malária, e que, quando muito, entrariam pelo nariz, mas nunca pelos ouvidos. Fiquei esclarecido. Levei com uma retórica elaborada sobre o ciclo de vida do plasmódio da malária, bem como com umas acusações de ignorância que ainda hoje me ressoam nos ouvidos, por onde, fiquei a saber, não entram os plasmódios, felizmente. Não consegui convencer os meus acompanhantes que o que eu tinha dito o tinha feito apenas por graça porque, disseram-me, o tom com que eu tinha dito "não" tinha nada de gracejo e portanto eu fiz uma afirmação que "não" estava correta.
  
Foi aí que comecei a pensar que talvez o país se devesse chamar “o país dos surdos”. Porque aquele intercâmbio de palavras mais me pareceu uma conversa de surdos do que outra coisa.

Mas depois de pensar bem concordei que realmente o “não” superou todas as outras possíveis alternativas. Pelo menos estatisticamente falando.

Ficou bem claro para mim que para além de eu “não” ter dito nada acertado, o que era certo era que o plasmódio “não” voa, o plasmódio “não” entra pelos ouvidos, quando muito pelo nariz, mas nunca pelos ouvidos, que “não” o disse em tom jocoso, e que “não” valia a pena eu tentar esclarecer porque já “não” havia a possibilidade para tal. O dano estava causado e “não” me deixariam explicar. Também notei que quase “não” tive oportunidade para falar porque todos começaram a falar ao mesmo tempo sem se aperceberem do que cada um estava a dizer. Mas isso é outra estória.

Este país também anda mal de finanças mas “não” há solução, disseram-me. Mas também me garantiram que “não” vai à falência porque isso também “não” é uma opção. 

Este país também está no Euro 2012. Dizem que "não" tem hipótese... porque "não" tem a sorte ao seu lado, o seu triste fado é de "não" ter fado...

Mas... desculpem... divago um pouco...
 

Monday, November 21, 2011

Petição aos governantes

O que os governantes têm de fazer, já!

Tem corrido uma mensagem, ora em e-mails, ora no facebook, com uns 30 pontos que a Troika queria ou deveria ter feito e não conseguiu. Li e reli o dito documento. Quis contribuir mas não consegui engrenar no "thinking process" do autor. Por isso resolvi atacar o problema de outra forma, ou seja, criando 6 objectivos para os governantes de Portugal, e em seguida algumas iniciativas que apoiassem esses objectivos.

O que os nossos governantes têm de fazer quanto antes não é pera doce. Esta conjuntura necessita de novas maneiras de pensar. Um novo mind-set, uma mentalidade aberta capaz de ponderar os riscos mas capaz de seguir em frente sem temor. Não poderemos solucionar a situação em que nos encontramos repetindo os passos que nos trouxeram até aqui.

Primeiro que tudo temos de identificar com clareza o conjunto de problemas que nos aflige. Depois temos de criar um conjunto de objectivos que por sua vez nos levarão a iniciativas e acções, e estas a resultados mensuráveis e verificáveis.

De momento vou, propositadamente, passar por cima da etapa de definição dos problemas que nos rodeiam. A minha razão não é imune a críticas, mas acho que estes têm sido falados e ventilados vezes suficientes para podermos, para o efeito deste documento, passar aos objectivos e iniciativas específicas.

Em qualquer destes exercícios há sempre um dilema a considerar que aparece sob a forma do síndrome do ovo e da galinha. Tentei dar prioridade à galinha de modo a que o ovo não ficasse desprezado mas fosse reconhecido como o esforço da galinha. Um pouco de humor ajuda.

Aventuro aqui o meu conjunto de objectivos que considero importantes para Portugal:

Objectivos nacionais fundamentais

1. Criar uma política económica independente do crescimento do PIB

atingir a auto-suficiencia económica e financeira,

fomentar o bem-estar social e a mais-valia social,

conservar o património natural e nacional,

incentivar a sustentabilidade dos investimentos,

criar uma estrutura de avaliação do impacto das medidas tomadas.

2. Desenvolver a produção nacional das PMEs

redefinir a classificação de PME

para consumo interno – reduzir a dependência nas importações

para exportação – para angariar divisas e incrementar as receitas

para criar postos de trabalho

3. Incrementar a educação

para melhorar a competitividade

para atrair postos de trabalho dignos do ser humano

proporcionar a participação activa do cidadão na política nacional e Europeia

4. Incrementar o apoio à saúde e aos benefícios sociais

para melhorar a produtividade e a competitividade

atrair postos de trabalho progressistas

criar um ambiente de inter-apoio entre as diversas faixas etárias

5. Atrair investimentos com perspectivas futuras sustentáveis

eliminar paraísos fiscais

colocar enfase em tecnologias de alto impacto nacional

redefinir as estatísticas de crescimento económico/social

6. Reduzir o desemprego e a desigualdade social

oferecer benefícios fiscais a empresas que criem postos de trabalho

reduzir a desigualdade ocupacional e social da nossa população

Estes poderiam ser mais elaborados. O ordenamento das prioridades é importante pois que alguns objectivos são de cariz mais imediato, enquanto outros são imperativos para se atingirem objectivos de mais longo prazo, como a educação, a saúde e o bem-estar social. Mas acho que para já podemos partir deste conjunto de objectivos como base para uma análise mais detalhada e aprofundada mais tarde.

Passemos então a um conjunto de iniciativas que possam apoiar estes objectivos e torná-los em actividades exequíveis e palpáveis.


Iniciativas necessárias para atingir os objectivos

Proponho um conjunto de iniciativas que possam tornar os objectivos exequíveis e passíveis de avaliação qualitativa e quantitativa. É de salientar que quaisquer medidas a tomar têm de ser mensuráveis e avaliadas quantitativamente Há necessidade de incutir confiança no povo português que já perdeu muita dessa confiança no sistema político, no sistema financeiro, nos seus protagonistas, e nos seus dirigentes. Acredito que este tipo de medidas e iniciativas levantarão do chão essa confiança perdida. Criarão também vontade participar e de criar de um modo endémico e não apenas como uma resposta vã a apelos demagógicos.

1. Criar uma política económica independente do crescimento do PIB

atingir a auto-suficiencia económica e financeira,

fomentar o bem-estar social e a mais-valia social,

conservar o património natural e nacional,

incentivar a sustentabilidade dos investimentos,

criar uma estrutura de avaliação do impacto das medidas tomadas.

Adicionar ao PIB medidas de:

bem-estar social, conservação do património natural, sustentabilidade dos investimentos.

medir e avaliar o progresso atingido usando metodologias de avaliação do impacto socio-económico:

http://www.ecologica.org.br/index.php?option=com_k2&view=item&layout=item&id=10&Itemid=8

http://en.wikipedia.org/wiki/Social_impact_assessment

http://sroi.london.edu/Measuring-Social-Impact.pdf

http://www.riseproject.org/Social%20Impact%20Assessment.pdf

Retirar do PIB medidas que não representam crescimento real

Como exemplo:

· o aumento nas vendas de carros de assalto e equipamento policial e militar que não é crescimento real mas apenas uma despesa em resposta a um crescimento na taxa de criminalidade que por sua vez é o resultado de abandono e marginalização de certos grupos sociais.

· o aumento nas vendas de ambulâncias e outro equipamento clínico não é necessàriamente crescimento real, mas apenas uma resposta ao aumento de patologias e/ou falta de apoio aos idosos e/ou à população em geral..

Estas medidas atraem investimentos de empresas com perspectivas futuristas e afastam empresas com perspectivas oportunistas do momento, ou do financiamento fácil, como a construção civil sem base nas necessidades sociais, empresariais e estatísticas demográficas.

2. Desenvolver a produção nacional das PMEs

redefinir a classificaçãode PME

para consumo interno – reduzir a dependência nas importações

para exportação – para angariar divisas, incrementar as receitas e promover a procura de produção nacional

para criar postos de trabalho de mais-valia e dignos do ser humano

A PME necessita de ser a empresa com menos de 50 funcionários

estas são as mais vulneráveis e representam 64% dos postos de trabalho

neste grupo incluem-se as empresas que dinamizam as localidades mais pequenas e do interior do país

Criar polos de interação entre estabelecimentos de ensino e empresas

promover processos naturais de criatividade e sinergismos locais

Criar polos de interação a nível de concelhos e freguesias com o mesmo fim


3. Incrementar a educação profissional e cívica

para melhorar a competitividade

para atrair postos de trabalho de mais-valia e dignos do ser humano

proporcionar a participação activa do cidadão na política nacional e Europeia

Promover a educação política do cidadão e a sua participação activa nas causas de valor

Incentivar a educação como base fundamental de uma vida de valores humanos

criar valores como a honestidade e moderar o conceito de salários altos, ganhos imediatos e consumismo insustentável.

4. Incrementar o apoio à saúde e aos benefícios sociais

para melhorar a produtividade e a competitividade

atrair postos de trabalho com futuro e fomentadores de progresso

criar um ambiente de inter-apoio entre as diversas faixas etárias

A saúde e a educação são pedras basilares para um país próspero e orientado para o desenvolvimento, não necessáriamente o crescimento apenas económico. O mundo está num estado de saturação com a exploração de recursos naturais. No passado dia 21 de setembro os habitantes da Terra acabaram de usar todos os recursos que a Terra consegue produzir sustentavelmente em um ano. Estamos portanto em vembro a funcionar em hipoteca do ano 2012, fenómeno que já aconteceu durante todo o mês de outubro.

5. Atrair investimentos com perspectivas futuras sustentáveis

eliminar paraísos fiscais

colocar enfase em tecnologias de alto impacto nacional

redefinir as estatísticas de crescimento económico/social – vide objectivo nº 1 acima

Acabar os paraísos fiscais

Estes apenas protegem os endinheirados que não investem na economia real nem se interessam por investimentos a longo prazo mas reduzem a receita fiscal do país. Paraísos fiscais atraem capital especulativo que não tem perspectivas de futuro.

Dissiminar o conhecimento das necessidades e capacidades do país

O conhecimento das necessidades e capacidades específicas é fundamental para que o eleitor possa fazer escolhas acertadas quanto aos investimentos.


6. Reduzir o desemprego e a desigualdade social

oferecer benefícios fiscais a empresas que criem postos de trabalho

reduzir a desigualdade ocupacional e social da nossa população

Proporcionar incentivos fiscais a empresas que criem postos de trabalho

Fomentar a indústria transformadora

Retirar incentivos fiscais a empresas que não produzam riqueza local.

A empresas de investimentos na bolsa (que criam muito poucos postos de trabalho e não produzem riqueza real),

Aos supermercados que importam a maior parte dos seus produtos e criam poucos postos de trabalho a salários miseráveis.

A todas as empresas criadoras de endinheirados que não investem na economia real.

Eliminar o financiamento dos partidos políticos com verbas públicas.

Todas as contas do estado são do domínio público e transparentes e não devem beneficiar discriminadamente.

Eliminar a porta rotativa dos políticos e empresários:

Eliminar os motoristas privados e dos departamentos do estado,

Estabelecer car-pools e mover estes motoristas para outros empregos.

Embargar durante 3 anos a transição de altos funcionários do estado para cargos noutras instituições onde haja conflito de interesses.

Limitar todas as reformas e ajustar anualmente segundo o índice do custo de vida.

Impor mínimos de liquidez a todos os bancos e empresas financeiras.

Criar recursos legais rápidos para que cidadãos suspeitos de fraude e criminalidade não sobrecarreguem o sistema jurídico até se livrarem das suas responsabilidades.

Suspender os seus cargos de imediato e impedir de concorrerem de novo.

Criar limites legais à extensão de julgamentos

Eliminar a prescrição e a liberdade de indivíduos com credibilidade duvidosa.

Criar transparência em todos os organismos e acordos.

Eliminar condições contratuais que prejudicam o bom funcionamento das organizações

Um exemplo de nota é o programa de Bolonha. Tem, sem dúvida, beneficiado muitos estudantes, mas que está minado por condições de produtividade de alunos e professores que não beneficiam a qualidade do trabalhos dos mesmos. http://www.scielo.br/pdf/es/v31n110/14.pdf

Estas medidas criam confiança nos cidadãos e estabelecem um clima em que o mérito e o trabalho são remunerados e as tentativas de fraude ou crime, mesmo que muito bem encobertas, não compensam. O cidadão que sente que há justiça, ganha confiança e esforça-se por melhorar a sua vida e a dos seus. O cidadão desmoralizado deixa-se no queixume e atrofia. Com ele atrofia o país.

É intencional que aqui não haja nada sobre crescimento económico, salários baixos, crescimento do PIB, grandes obras, ou financiamentos fáceis para produzir resultados a curto prazo. Um Portugal concentrado nessas preocupações tirou os olhos da bola e não é sustentável no século XXI.

O resultado está à vista.

Precisamos de uma nova maneira de pensar, de um novo mind-set, foi o que tentei fazer acima. Espero que seja material digno de avaliação, reflexão e elaboração. Se assim for, terei preenchido a minha ambição quando me agarrei a este enfadonho teclado “QWERT”, produto do século XIX e potencial alvo da criatividade Lusa para um teclado e um futuro melhor.

Fernando Aidos da Cruz

Nota: Este documento foi criado segundo a ortografia aprendida nas escolas do século passado e deturpada ao longo de anos de utilização livre.