Wednesday, January 1, 2014
Confiança no país que queremos
Sunday, December 29, 2013
Temos de quebrar o nosso ciclo vicioso
- Queremos um país que é conhecido mundialmente através da Transparência Internacional por ter índices de corrupção nada desejáveis?
- Queremos um país onde o setor informal, as atividades que fogem aos impostos, seja tão alta?
- Queremos um país onde a justiça, quando funciona, é só para os ricos? Ou apenas para as grandes empresas?
- Queremos um país onde os contribuintes pagam os impostos e as empresas e os políticos fogem ao fisco?
- Queremos um país onde abrir uma nova empresa necessita de cunhas e padrinhos?
- Queremos um país que é visto como sendo pouco interessante para os investidores?
- E que investidores queremos?
- Queremos os investidores das grandes superfícies que trazem postos de trabalho de salário mínimo?
- Ou queremos investidores com a mentalidade dos Mondragon do País Basco?
- Queremos investidores de países mais corruptos do que nós?
- Ou queremos investimentos de países onde a honestidade prevalece?
- Queremos um país onde as escolas estão sempre a perder recursos?
- Queremos um país que cria profissionais mas não lhes dá oportunidades fazendo-os emigrar?
- Queremos um país onde os idosos, (nós quando chegar a nossa vez), vivem no banco do jardim ou do café, longe dos cidadãos mais jovens, à espera da morte?
- Queremos um país com um dos melhores climas da Europa e com as habitações doentiamente menos confortáveis? Construídas ainda por profissionais do século passado? Com materiais e técnicas do século anterior a esse?
Wednesday, August 8, 2012
O país do "não" nas Olimpíadas de Londres
Friday, June 8, 2012
O país do “não”
Muito estranho este hábito. Mas, realmente, não admira que o país tenha adquirido aquele nome, “o país do não”. Não se sabe bem se foram os nativos que escolheram o nome ou se lhe foi dado por algum invasor de outros tempos. O que é certo é que o nome aplica-se bem.
Para compreender bem esta curiosidade preciso de dar uns exemplos.
Uma pessoa diria, por exemplo, que o carro do vizinho estava lavadinho e todo brilhante. A primeira resposta poderia ser – ah, mas aquilo “não” é novo! Aquilo ele comprou numa sucata qualquer e depois mandou pintar. Está bem, responderia eu, mas eu não disse que era novo. Eu disse apenas que estava lavado e brilhante. Tarde teria eu piado. A conversa já teria desmoronado e não haveria saída para a conversa do “não é novo”. Diram também que fui eu que dei a entender que... e embora eu pudesse repetir o que disse ou tivesse deixado de dizer, o que é certo é que já não haveria retorno para uma discussão sobre o que eu disse ou não disse e como disse. Mas nada a ver com o carro estar lavadinho. Este conceito já se teria perdido pelo caminho.
Não sei se os tempos dos verbos desta frase estão todos como deve ser, mas espero que dê para entender o exemplo.
Vou dar outro exemplo. Passou-se num café onde afirmei, por graça, que agora com o calor e com as chuvas tardias tinhamos de ter muito cuidado com os plasmódios voadores da malária porque estes poderiam entrar-nos pelos ouvidos e lá vamos nós de cama com umas febres que não têm graça nenhuma. Ouvi imediatamente que “não”, os plasmódios não voam, muito menos os da malária, e que, quando muito, entrariam pelo nariz, mas nunca pelos ouvidos. Fiquei esclarecido. Levei com uma retórica elaborada sobre o ciclo de vida do plasmódio da malária, bem como com umas acusações de ignorância que ainda hoje me ressoam nos ouvidos, por onde, fiquei a saber, não entram os plasmódios, felizmente. Não consegui convencer os meus acompanhantes que o que eu tinha dito o tinha feito apenas por graça porque, disseram-me, o tom com que eu tinha dito "não" tinha nada de gracejo e portanto eu fiz uma afirmação que "não" estava correta.
Foi aí que comecei a pensar que talvez o país se devesse chamar “o país dos surdos”. Porque aquele intercâmbio de palavras mais me pareceu uma conversa de surdos do que outra coisa.
Mas depois de pensar bem concordei que realmente o “não” superou todas as outras possíveis alternativas. Pelo menos estatisticamente falando.
Ficou bem claro para mim que para além de eu “não” ter dito nada acertado, o que era certo era que o plasmódio “não” voa, o plasmódio “não” entra pelos ouvidos, quando muito pelo nariz, mas nunca pelos ouvidos, que “não” o disse em tom jocoso, e que “não” valia a pena eu tentar esclarecer porque já “não” havia a possibilidade para tal. O dano estava causado e “não” me deixariam explicar. Também notei que quase “não” tive oportunidade para falar porque todos começaram a falar ao mesmo tempo sem se aperceberem do que cada um estava a dizer. Mas isso é outra estória.
Este país também anda mal de finanças mas “não” há solução, disseram-me. Mas também me garantiram que “não” vai à falência porque isso também “não” é uma opção.
Este país também está no Euro 2012. Dizem que "não" tem hipótese... porque "não" tem a sorte ao seu lado, o seu triste fado é de "não" ter fado...
Mas... desculpem... divago um pouco...
Sunday, August 14, 2011
O (des) governo deste país
Tenho, como todos, assistido, assim como ouvido, bem como lido e relido sobre a paródia que é a política deste nosso torrão à beira mar plantado. Ainda bem que assim é. Imaginem se, com tanto hot air a sair da boca dos políticos não tivessemos a brisa marítima para nos refrescar...?
Tenho andado a tentar encontrar um termo de comparação para a disfuncionalidade nacional para ver se encontrava um modelo que me pudesse ajudar a compreender o que se está a passar. Até ontem todos os meus esforços tinham sido em vão. Mas ontem deu-me uma coisa ruim e acho que encontrei o tal modelo de que necessitava. É assim:
O país está a funcionar como uma empresa disfuncional. Eu explico. Imaginemos que, para esta empresa que é Portugal, e até às últimas eleições, a gerância desta estava organizada da seguinte maneira:
O PSD era o sales department - pois que parecia querer vender tudo a todos os clientes que quizessem comprar...
O PS era o marketing department - pelos vistos é tudo sugar coated e tudo era sensacional, pá... good marketing message...
O PCP era o human resources - só falava dos operários com teorias arcaicas... benefits, benefits, benefits...
O BE era o quality assurance - nada estava perfeito, era tudo um liability e ninguém lhes dava ouvidos...
O CDS era o finance department - isto por falta de outra função que também não necessitasse de criatividade...
O Governo era o manufacturing department - os que têm de produzir o que marketing inventa e o que o sales department quer to make quota...
OK. Então, com este cenário, era lógico que nada estivesse bem segundo o quality assurance, que os benefícios não fossem competitivos com o mercado de trabalho, que o produto não estivesse à medida do que os salesmen queriam, e que manufacturing não consiguisse fabricar o que todos diziam não ser aquilo. Daí que a solução muitas vezes apresentada pelo sales department fosse uma de outsourcing of all manufacturing. Manufacturing não sabe. A concorrência é que sabe. Já trabalhei numa empresa assim.
Numa empresa onde há um CEO e este está acordado, esta malta entraria nos eixos, porque haveria goals, objectives and measurements. Mas não é o caso desta nossa empresa desfuncional.
O que acontece então quando o CEO dorme? A empresa does not meet its sales quota and devalues. Neste caso começam a aparecer os credores ou algum corporate raider que toma a empresa de surpresa (o que não deveria ter sido surpresa) e adquire-a. Desfaz-se de tudo o que não é de valor, de todo o surplus, de todo o deadwood e revende a empresa fazendo lucro. Ainda não sei bem se a troika faz parte dos credores ou dos corporate raiders. Talvez me possam ajudar a avaliar.
À parte do lado humorista, eu fiquei um pouco mais elucidado em relação ao modo como um país deve funcionar, o que neste caso não tem acontecido (funcionado), e como deve ser gerido, o que neste caso também não tem acontecido (gerido). Não é assim tão complexo como os políticos tentam fazer a coisa!
Afinal, apercebi-me eu, gerir países aprende-se na vida profissional, nos MBAs e dos embates que a vida nos proporciona, os tais eventos que help us build character.
Estas foram as minhas conclusões após aquela coisa ruim que me deu ontem. Am I missing something?
Bom, agora a gerência da nossa empresa mudou. Vamos dar-lhe algum tempo para ver o que sabem e conseguem fazer, ou se vão meter os papelinhos nos 3 envelopes... mas isso é outra história.
Desculpem-me os anglicismos.