Showing posts with label país. Show all posts
Showing posts with label país. Show all posts

Wednesday, January 1, 2014

Confiança no país que queremos

Para construirmos o país que queremos para nós, para os nossos filhos e para os nossos netos precisamos de construir a nossa confiança entre os cidadãos. Um país onde os cidadãos não confiam uns nos outros não possui capital social suficientemente forte para resistir às investidas de quem não tem o bem-estar dos cidadãos como um objectivo.
 
Uma forte confiança entre os cidadãos é necessária para se construirem instituições que funcionem em benefício da sociedade. Hoje Portugal demonstra uma grande falta de confiança institucional

Estas faltas de confiança interpessoal e institucional não estão a ajudar o país a ser o país que queremos para nós, para os nossos filhos e para os nossos netos.

2014 é um Bom Ano para começarmos a mudar.

Sunday, December 29, 2013

Temos de quebrar o nosso ciclo vicioso

Sabemos que há hoje muita coisa que não está bem.  E aquilo que ainda está bem continuamos a perder.  Perdemos produtividade, perdemos competitividade, perdemos mercados, perdemos postos de trabalho, perdemos reformas, direitos adquiridos pelos quais muita gente trabalhou uma vida para conseguir. Perdemos regalias e benefícios que noutros países são considerados como parte integral da condição humana como cidadãos desses países e como Europeus. Perdemos bem-estar social, perdemos gente nova que parte, perdemos o capital social de que o país precisa para ser melhor do que é, o que não é difícil, diga-se de passagem, dado ao estado em que as coisas estão agora nos fins de 2013.

Estas perdas definem sem dúvida uma crise.  Não só económica como também social.  Mas aquela a que chamamos de crise atual só veio trazer à superfície a outra crise que já há muito germinava escondidamente à vista de todos.  Essa crise que já germinava à vista de todos vem de cá de dentro do nosso país há muitos anos e com muitos contribuintes.  É uma crise muito mais nefasta e de muito longa vida.

O que nos faz colocar a pergunta crucial - conseguiremos mudar o que não está bem?

Acredito que sim. Mas para mudar o que não está bem precisamos de partir da nossa atual posição de queixume para uma posição de resolução do problema. Precisamos de definir o que queremos que seja este país daqui a 5, 10, 20 anos.

Todos temos de olhar para o horizonte e perguntarmo-nos – que país queremos nós para os nossos filhos, e para os filhos dos nossos filhos, para os nossos netos?

  • Queremos um país que é conhecido mundialmente através da Transparência Internacional por ter índices de corrupção nada desejáveis? 
  • Queremos um país onde o setor informal, as atividades que fogem aos impostos, seja tão alta? 
  • Queremos um país onde a justiça, quando funciona, é só para os ricos? Ou apenas para as grandes empresas? 
  • Queremos um país onde os contribuintes pagam os impostos e as empresas e os políticos fogem ao fisco? 
  • Queremos um país onde abrir uma nova empresa necessita de cunhas e padrinhos? 
  • E que investidores queremos? 
  • Queremos os investidores das grandes superfícies que trazem postos de trabalho de salário mínimo? 
  • Ou queremos investidores com a mentalidade dos Mondragon do País Basco? 
  • Queremos investidores de países mais corruptos do que nós? 
  • Ou queremos investimentos de países onde a honestidade prevalece? 
  • Queremos um país onde as escolas estão sempre a perder recursos? 
  • Queremos um país que cria profissionais mas não lhes dá oportunidades fazendo-os emigrar? 
  • Queremos um país onde os idosos, (nós quando chegar a nossa vez), vivem no banco do jardim ou do café, longe dos cidadãos mais jovens, à espera da morte? 
  • Queremos um país com um dos melhores climas da Europa e com as habitações doentiamente menos confortáveis? Construídas ainda por profissionais do século passado? Com materiais e técnicas do século anterior a esse?
Que país queremos?

É por aqui que precisamos de começar. Faienas inúteis como a que o Sr. Silva patrocinou há umas semanas em Cascais não nos levam a lado nenhum. Para esta conferência foram convidados empresários de ascendência Portuguesa bem sucedidos em cerca de 50 países no mundo. A estes empresários foi pedido que falassem bem de Portugal porque Portugal não era assim tão mau como o pintam.

E eu fiquei a pensar. Estes empresários foram embora de Portugal porque lá fora encontraram um clima mais favorável para as suas actividades. Lá fora fizeram o seu sucesso. E é a esses que estamos a pedir que falem bem de Portugal? Com que moral pode um empresário destes fazer isso no país onde se radicou? Expliquem-me porque eu não percebo! Juro que não percebo.

Todos estes fatores estão interligados. Se queremos trazer para o nosso país investimentos onde prevaleça a honestidade, investimentos de países Europeus ou nórdicos, onde os índices de corrupção são muito mais baixos do que os nossos, onde a economia é mais formal e menos por baixo da mesa, onde não se pratica a fuga ao fisco como cá, onde a justiça funciona e é célere, então temos de mostrar que somos, como país, credíveis e de confiança. E isso mostra-se fazendo o que é necessário para que os índices deixem de enterrar o país aos olhos estrangeiros em vez de passarmos horas a fio nos cafés argumentando que esses índices são suspeitos.

Se queremos investimentos vindos de países onde se pratica tudo isto e com mais esmero e até com mais requintes de malvadez do que nós praticamos, então estamos no caminho certo. Não acho que esse caminho seja bom, mas para este objectivo, é o caminho certo.

Eu não tenho gostado de ver este país cair no lodo em que está. Mas não é criticando e identificando os problemas que sairemos desse lodo. Essa parte, a definição do problema está mais que feita. Agora é altura de decidirmos que país queremos para daqui a 1 ano, 5, 10, 20 anos, e assim definir as iniciativas que têm de receber a nossa atenção e diligência.

Uma vez definidas as iniciativas, é uma questão de pormos mãos à obra. Os governantes des-governados que temos não sobreviverão neste país!

Mas temos de definir que país queremos para daqui a 1, 5, 10, 20 anos.

2014 é um Bom Ano para começarmos.

Wednesday, August 8, 2012

O país do "não" nas Olimpíadas de Londres

Tenho acompanhado com muita ansiedade misturada de alegria e por vezes um pouco de tristeza o desempenho dos nossos atletas.
 
Tenho-me deliciado a ver pela televisão equipas e indivíduos com a nossa bandeira bordada no peito e o sangue luso no coração a dar tudo por tudo para conseguirem ficar bem colocados. Muitas vezes a vencer obstáculos com os quais nós nem sonhamos.
 
Tenho-os visto a bater atletas de países que consideramos "fortes" o que me tem dado muito orgulho, ansiedade e alegrias indescritíveis.
 
Mas também tenho observado e notado o modo como os nossos comentadores conseguem sempre encontrar uma maneira de expressar os deliciosos resultados obtidos em termos que considero negativos, derrotistas até.
 
Tenho ouvido comentários como - ah, aquele atleta por tantos décimos de segundo que não conseguia... a nossa equipa nem sequer chegou a... por pouco que aquela vitória não era desse ou daquela atleta. Se não fosse a adversária ter perdido o ritmo...
 
Aí as minhas emoções passam-se da ansiedade para a angústia e para a ira, para uma quase raiva que não sei explicar. Será que não há palavras diferentes para descrever o que os nossos atletas conseguiram? Para ilustrar o que quero dizer, deixem-me transcrever o parágrafo anterior de um modo mais positivo. 
  
Por exemplo - ah, aquele atleta conseguiu, por meros décimos de segundo, arrancar a vitória das garras do adversário... a nossa equipa conseguiu fazer aquilo que equipas consideradas mais fortes e com mais experiência não conseguiram... aquela vitória foi sensacional! Uma luta renhida até ao fim! A nossa atleta não perdeu o ritmo...
  
Só no país do não, que já descrevi aqui neste blogue, é que eu observei tal negatividade. Tenho muito receio que nos estejamos a deixar influenciar pelo país do não. Sei que não é longe, esse país, mas acho que temos garra para não nos deixarmos influenciar pelo que lá se faz. 
 
Será que os comentadores da televisão têm andado a visitar esse país do não tão frequentemente que já se deixaram cair nessas práticas tão derrotistas? Se isso é verdade, então é altura de se lhes retirar o microfone, e, já agora, o cartão do sindicato. 

Não merecem, nem um, nem o outro.

Friday, June 8, 2012

O país do “não”


Há um país, não muito longínquo, cujo nome, traduzido para portugês, é “o país do não”. Nome estranho este, não é? Mas é assim. O país do “não”.
  
É um país, na realidade, onde todas as afirmações são respondidas com um “não” enfático. Depois disso seguem-se respostas mais ou menos relacionadas com as afirmações iniciais mas sempre com um “não” em cada frase. Daí o nome do país. Na realidade eu chamar-lhe-ia “o país dos surdos” porque pareceu-me que as pessoas nem ouviam a afirmação inicial. Apenas se concentram no ripostar negativo.
 
Muito estranho este hábito. Mas, realmente, não admira que o país tenha adquirido aquele nome, “o país do não”. Não se sabe bem se foram os nativos que escolheram o nome ou se lhe foi dado por algum invasor de outros tempos. O que é certo é que o nome aplica-se bem.
 
Para compreender bem esta curiosidade preciso de dar uns exemplos.
  
Uma pessoa diria, por exemplo, que o carro do vizinho estava lavadinho e todo brilhante. A primeira resposta poderia ser – ah, mas aquilo “não” é novo! Aquilo ele comprou numa sucata qualquer e depois mandou pintar. Está bem, responderia eu, mas eu não disse que era novo. Eu disse apenas que estava lavado e brilhante. Tarde teria eu piado. A conversa já teria desmoronado e não haveria saída para a conversa do “não é novo”. Diram também que fui eu que dei a entender que... e embora eu pudesse repetir o que disse ou tivesse deixado de dizer, o que é certo é que já não haveria retorno para uma discussão sobre o que eu disse ou não disse e como disse. Mas nada a ver com o carro estar lavadinho. Este conceito já se teria perdido pelo caminho.

Não sei se os tempos dos verbos desta frase estão todos como deve ser, mas espero que dê para entender o exemplo.

Vou dar outro exemplo. Passou-se num café onde afirmei, por graça, que agora com o calor e com as chuvas tardias tinhamos de ter muito cuidado com os plasmódios voadores da malária porque estes poderiam entrar-nos pelos ouvidos e lá vamos nós de cama com umas febres que não têm graça nenhuma. Ouvi imediatamente que “não”, os plasmódios não voam, muito menos os da malária, e que, quando muito, entrariam pelo nariz, mas nunca pelos ouvidos. Fiquei esclarecido. Levei com uma retórica elaborada sobre o ciclo de vida do plasmódio da malária, bem como com umas acusações de ignorância que ainda hoje me ressoam nos ouvidos, por onde, fiquei a saber, não entram os plasmódios, felizmente. Não consegui convencer os meus acompanhantes que o que eu tinha dito o tinha feito apenas por graça porque, disseram-me, o tom com que eu tinha dito "não" tinha nada de gracejo e portanto eu fiz uma afirmação que "não" estava correta.
  
Foi aí que comecei a pensar que talvez o país se devesse chamar “o país dos surdos”. Porque aquele intercâmbio de palavras mais me pareceu uma conversa de surdos do que outra coisa.

Mas depois de pensar bem concordei que realmente o “não” superou todas as outras possíveis alternativas. Pelo menos estatisticamente falando.

Ficou bem claro para mim que para além de eu “não” ter dito nada acertado, o que era certo era que o plasmódio “não” voa, o plasmódio “não” entra pelos ouvidos, quando muito pelo nariz, mas nunca pelos ouvidos, que “não” o disse em tom jocoso, e que “não” valia a pena eu tentar esclarecer porque já “não” havia a possibilidade para tal. O dano estava causado e “não” me deixariam explicar. Também notei que quase “não” tive oportunidade para falar porque todos começaram a falar ao mesmo tempo sem se aperceberem do que cada um estava a dizer. Mas isso é outra estória.

Este país também anda mal de finanças mas “não” há solução, disseram-me. Mas também me garantiram que “não” vai à falência porque isso também “não” é uma opção. 

Este país também está no Euro 2012. Dizem que "não" tem hipótese... porque "não" tem a sorte ao seu lado, o seu triste fado é de "não" ter fado...

Mas... desculpem... divago um pouco...
 

Sunday, August 14, 2011

O (des) governo deste país

Tenho, como todos, assistido, assim como ouvido, bem como lido e relido sobre a paródia que é a política deste nosso torrão à beira mar plantado. Ainda bem que assim é. Imaginem se, com tanto hot air a sair da boca dos políticos não tivessemos a brisa marítima para nos refrescar...?

Tenho andado a tentar encontrar um termo de comparação para a disfuncionalidade nacional para ver se encontrava um modelo que me pudesse ajudar a compreender o que se está a passar. Até ontem todos os meus esforços tinham sido em vão. Mas ontem deu-me uma coisa ruim e acho que encontrei o tal modelo de que necessitava. É assim:

O país está a funcionar como uma empresa disfuncional. Eu explico. Imaginemos que, para esta empresa que é Portugal, e até às últimas eleições, a gerância desta estava organizada da seguinte maneira:

O PSD era o sales department - pois que parecia querer vender tudo a todos os clientes que quizessem comprar...
O PS era o marketing department - pelos vistos é tudo sugar coated e tudo era sensacional, pá... good marketing message...
O PCP era o human resources - só falava dos operários com teorias arcaicas... benefits, benefits, benefits...
O BE era o quality assurance - nada estava perfeito, era tudo um liability e ninguém lhes dava ouvidos...
O CDS era o finance department - isto por falta de outra função que também não necessitasse de criatividade...
O Governo era o manufacturing department - os que têm de produzir o que marketing inventa e o que o sales department quer to make quota...

OK. Então, com este cenário, era lógico que nada estivesse bem segundo o quality assurance, que os benefícios não fossem competitivos com o mercado de trabalho, que o produto não estivesse à medida do que os salesmen queriam, e que manufacturing não consiguisse fabricar o que todos diziam não ser aquilo. Daí que a solução muitas vezes apresentada pelo sales department fosse uma de outsourcing of all manufacturing. Manufacturing não sabe. A concorrência é que sabe. Já trabalhei numa empresa assim.

Numa empresa onde há um CEO e este está acordado, esta malta entraria nos eixos, porque haveria goals, objectives and measurements. Mas não é o caso desta nossa empresa desfuncional.

O que acontece então quando o CEO dorme? A empresa does not meet its sales quota and devalues. Neste caso começam a aparecer os credores ou algum corporate raider que toma a empresa de surpresa (o que não deveria ter sido surpresa) e adquire-a. Desfaz-se de tudo o que não é de valor, de todo o surplus, de todo o deadwood e revende a empresa fazendo lucro. Ainda não sei bem se a troika faz parte dos credores ou dos corporate raiders. Talvez me possam ajudar a avaliar.

À parte do lado humorista, eu fiquei um pouco mais elucidado em relação ao modo como um país deve funcionar, o que neste caso não tem acontecido (funcionado), e como deve ser gerido, o que neste caso também não tem acontecido (gerido). Não é assim tão complexo como os políticos tentam fazer a coisa!

Afinal, apercebi-me eu, gerir países aprende-se na vida profissional, nos MBAs e dos embates que a vida nos proporciona, os tais eventos que help us build character.

Estas foram as minhas conclusões após aquela coisa ruim que me deu ontem. Am I missing something?

Bom, agora a gerência da nossa empresa mudou. Vamos dar-lhe algum tempo para ver o que sabem e conseguem fazer, ou se vão meter os papelinhos nos 3 envelopes... mas isso é outra história.

Desculpem-me os anglicismos.