Tuesday, July 16, 2013
Monday, June 3, 2013
There is always place for another friend
Why would you ever leave such a friend behind when you decide to go out fishing?
Just imagine the havoc he could wreak on your garden patch?
Just imagine the havoc he could wreak on your garden patch?
Better take him with you.
Besides, that way you will not miss him while you are away.
Depois da Terra arrefecer
Numa era muito remota a terra estremeceu e se abriu
engolindo tudo o que nela existia. A água correu para a enorme brecha
com um ruído ainda mais assutador do que o que a terra tinha feito
quando se abriu. A pouco e pouco as forças foram-se
equilibrando. A terra aceitou a água e juntos foram-se acomodando uma à
outra. Passaram-se os anos, as estações, as gerações, as épocas, os
milénios e ao longo do tempo a harmonia das forças deixou-nos este
espectáculo deslumbrante.
Nessa África enorme essa fractura deu origem a Madagáscar e aos grandes lagos. Victoria,
Tanzania e Niassa. Foi o início de grandes rios como o Nilo e o
Zambeze. Deu origem às cataratas de Victoria.
Foi um acontecimento fabuloso, logo no início das formações dos
continentes e da movimentação das placas continentais. Pouco depois da Terra ter arrefecido.
Thursday, May 16, 2013
An open letter to my daughter
Hi Claudia,
I hope you are all doing well and almost packed to move back to your home in Colorado.
Take care and keep in touch.
Love you dearly,
your Dad
I hope you are all doing well and almost packed to move back to your home in Colorado.
How are you and your precious family doing? I hope you had a good time during your trip to Portugal. I am sorry the weather was not really on your side. It was so wonderful to see all of you all over again. You do have beautiful kids. I am happy for you and Keith.
We are back from our trip to Africa. I am going to post some pictures on the Internet and send you links so you can see them.
Our trip went well and we did have a good time interacting with the young girls at the orphanage. But we were very disappointed with the countries we visited.
I
think Mozambique has been frozen 50 years back in time. Living conditions there are
ephemeral. Poor everything. Poor schools, poor security, poor roads, poor jobs, poverty everywhere and
a racist attitude I had not seen in ages. The new "haves" are as arrogant, if not more, than the Portuguese or the South Africans of the 60s.
South Africa is better in terms
of infrastructures but the insecurity is appalling. People live behind bars and electrified barbed wire. In Mozambique too. I am not sure you will be able to imagine your children playing in a backyard surrounded by high walls topped with electrified barbed wire?
I often thought about our painful move away from Africa back in the 70s when you were still very young and we all aspired to a happy life in Africa. But now I must say that our departure was a blessing in disguise. I am so happy you live in the USA. And I am so glad I am living in Europe.
Take care and keep in touch.
Love you dearly,
your Dad
Saturday, May 11, 2013
Um país adormecido
Um amigo meu chama-lhe o país do absurdo. Compreendo porquê. Há um sem fim de exemplos que validam a classificação do meu amigo:
- Luta-se pela erradicação da malária. A Raínha de Espanha e o Bill Gates subsidiam a pesquisa da vacina contra a malária. Mas as pessoas dormem à noite com redes rotas ou mesmo sem elas, como quem não acredita na seriedade do problema nem no valor do esforço e do dinheiro destas personalidades.
- O ministro da agricultura patrocina conferências e faz discursos sobre a segurança alimentar do país. Mas 80% do mundo rural prossegue no seu lento dia a dia a plantar as mesmas plantas, com as mesmas enchadas e paus, com o mesmo primitivismo, e ao mesmo ritmo de agricultura de subsistência de há 50 anos.
- Enquanto a população em massa continua a acreditar em poderes sobrenaturais, como os que atrofiaram a perna daquele homem quando alguém deitou água no chão da sua cabana enquanto dormia, as igrejas continuam a aplicar uns band-aids religiosos por cima daquilo em que o povo acredita. Não se educa o povo. Aplica-se uma doutrina por sufoco como a que os nossos antepassados tentaram aplicar noutros tempos e sem sucesso.
- Neste país o clima tropical exige edificações apropriadas. A falta de energia reflecte-se em falhas diárias. A água da rede não tem pressão suficiente. Mas os novos edifícios são envidraçados com vidro simples, sem isolamento nem ventilação natural, e cada vez mais andares.
- As praias deliciosas embaladas por um oceano amigável são um atrativo para muitos turistas que podem trazer divisas muito necessárias ao país. Mas encontram-se sem acessos adequados e sem infraestruturas competitivas. Muitas estão poluídas com garrafas de plástico, restos de rede de pesca, chinelos velhos abandonados, e outro lixo que não vi noutros países onde também se vive do turismo e das praias.
Eu diria que, além de ser um país do absurdo é também um país sem competitividade e em decadência. Um país com recursos e potencial mas que se deixou embalar pelo dinheiro fácil das doações e subsídios vindos de fora. Um país que vai vender os seus recursos a quem mais souber jogar o seu jogo preferido, o do enriquecimento ilícito pelas elites, mas que não tem competitividade em nada. É um país que se deixou ficar no tempo que já lá vai. Um país de 40 a 50 anos perdidos. Mesmo subtraindo os anos de guerra civil não consigo justificar tanta decadência.
Este é um país onde o governo anda 180º desfasado em relação às necessidades do país e do seu povo. Os últimos 40 a 50 anos foram de pouco progresso. Os pobres continuam a viver na cidade do caniço cada vez mais sufocante, cada vez mais criminosa, cada vez mais abjecta. Os ricos vivem cada vez mais soberbos, mais arrogantes e mais corruptos nos seus ghettos protegidos por guardas e arame farpado electrificado, receosos da crescente insegurança e criminalidade.
É um país sem indústria, como dantes. Onde tudo vem da África do Sul. Os supermercados são todos de cadeias Sul Africanas. Woolworths, Mr. Price, Pick & Pay, Spaar, etc. O comércio local não vende nada de fabrico Moçambicano. O açúcar, o leite, a farinha, o arroz, vêm da África do Sul. Como dantes. Como há 50 anos ou pior.
Não há livros nem revistas a circular. Numa cidade de 3 milhões de pessoas há 3 livrarias que se prezem. Como pode um povo aprender e progredir sem livros? As redes sociais estão cheias de vacuosidades. A escolaridade é medida pelo número de alunos que se inscrevem na primeira classe. É esse número que mede a literacia. Ninguém fala das taxas assustadoras de abandono escolar.
O povo é pacífico e dócil, como dantes. O povo tradicionalmente ouve a autoridade de quem manda. Mas as autoridades notam-se pela sua ausência ensurdecedora nos assuntos de importância para o país e para o bem estar do povo bem como pela sua presença nas notícias constantes sobre a corrupção descarada que defrauda o povo, que defrauda o país.
Há lixo por todo o lado. Como se o país sofresse de uma prisão de ventre infernal. Consome-se mas o lixo mantem-se dentro do sistema. Não sai do caminho. Existe por todo o lado. Nas ruas, nas traseiras das casas, nos edifícios abandonados, nas estadas, no mato, nas praias, nos mercados de rua. Ninguém parece estar preocupado com isso embora se trabalhe muito para a diminuição da mortalidade infantil por diarreias e outras maleitas.
Senti que o país não difere do que era no tempo da outra senhora. Um país sufocado, sem competitividade, sem capacidade productiva. Mas se realmente difere, será pela degradação e não pelo progresso. É realmente um país do absurdo, um país adormecido.
Adoro o seu povo mas já não me identifico com esse país. Com muita pena o digo.
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Wednesday, May 8, 2013
Os documentos do carro...
Fomos mandados parar pelo polícia de trânsito no fim da avenida quando esta acaba na Julius Nyerere. Eu tinha parado no sinal luminoso à espera que virasse verde e ligado o pisca para virar à esquerda.
Era de noite, umas 9 da noite, e acabei por parar o carro num espaço pouco iluminado, o que não me agradou nada. O senhor não tinha o pisca ligado, disse-me o polícia. Retorqui que tinha o pisca ligado, sim. Não contestou.
Os documentos, pediu o guarda. Ao entregar-lhe a carta de condução percebi que tinha deixado os documentos do carro em casa. O carro era do meu cunhado, com matrícula da cidade do Cabo. Disse-lhe que não os tinha. Então isso dá multa, disse o guarda. Num rasgo de chico-espertisse disse-lhe que não porque eu tinha 24 horas para apresentar os documentos na esquadra. Não sei se é verdade mas pegou.
Onde é que leu isso? perguntou o guarda. Mas antes que eu pudesse responder, ele acrescentou - e há quanto tempo estou eu aqui? Respondi que não sabia. A conversa tinha começado a parecer conversa de surdos. O polícia fez cara de estar enfadado com a conversa. Nesse momento, com ar de desprezo, virou-me a cara, devolveu-me a carta de condução e mandou-me seguir. Respirei fundo e fui-me embora. Com o pisca ligado de novo, por mor das dúvidas.
Aprendi mais tarde que esta conversa é típica de quem quer patrocínio, que é a nova palavra para saguate, corrupção, por outras palavras.
Há bem pouco tempo os polícias pediam refresco, mas houve espertos que andavam com uma lata de refrigerante no carro e o nome dessa coisa passou de refresco para patrocínio. Realmente é uma palavra muito mais pomposa.
Eu vi um país em desenvolvimento
Eu conheci esse país noutros
tempos. Nessa altura as avenidas eram largas, rasgadas de lés a lés. Essas
avenidas em linha reta eram apreciadas por todos quantos as percorriam. Quer por
quem lá vivia mesmo na azáfama do dia a dia, quer por quem visitava.
Hoje essas avenidas ainda lá
estão e ainda suscitam orgulho aos que lá viveram e saudade dos tempos da nossa
juventude quando por lá andámos a pé ou de bicicleta, sob o mesmo sol
inclementemente tropical.
Os edifícios eram o orgulho embora
muitos não fossem adequados ao clima. Eram de uma construção que tentava imitar
os edifícios da Europa distante. Só os edifícios do tempo anterior ao ar
condicionado apresentavam características mais propícias ao clima quente e
húmido dos trópicos.
Hoje esses edifícios sem condições tropicais
ainda lá estão, delapidados, sem pintura, com grades até ao último andar,
sujos, sem elevador, onde frequentemente falta a água e a eletricidade. É assim cá, dizem os locais. Welcome to Africa, dizem os mais cultos.
Os edifícios novos continuam a
ser apenas imitações pouco apropriadas ao clima. Com telhados sem respiração e
beirais sem ventilação. Alguns, imitando a arquitetura angular moderna ostentam
coberturas planas com varandas que não dão vista para nada. Toda a falta de
adaptação ao clima tropical é suprida por aparelhos de ar condicionado.
Os edifícios de residências pomposas
mostram a baixa qualidade dos construtores locais. Há buracos nas paredes.
Restos inacabados de pontos de luz que não foram instalados. Muros que nunca
foram terminados por cima embora já pintados. Os degraus desiguais são
acidentes à espera de acontecer. Portas de madeira maciça empenada, mal acabada
e mal aparelhadas. A imperfeição é generalizada e de mau artesanato.
Estas casas são as que
encontramos nos ghettos de ricos. Todas protegidas por guardas, arame farpado e
vedações eletrificadas. Por trás dos
muros trabalham uns poucos cidadãos locais privilegiados que servem os patrões
que hoje pertencem a uma elite com mentalidades do pior que a raça lusa jamais
produziu.
No tempo em que eu lá vivi havia
uma camada social de colonos que tendo atingido neste território um nível de
vida muito superior aos que tinham tido na sua terra natal adquiriram os
hábitos boçais do novo rico. Tratavam a população local com desdém e muitos até
com soberba insultuosa.
Hoje a maior parte dessa gente
já lá não está, mas os que lá estão mantiveram o mesmo desdém e a mesma soberba
para com os mais fragilizados que exploram sem remorso. Welcome to Africa, dizem eles.
Tive pena dessa gente e receio
pelo seu futuro. É triste e por vezes revoltante essa África que eu vi.
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