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Monday, June 3, 2013

Depois da Terra arrefecer


Numa era muito remota a terra estremeceu e se abriu engolindo tudo o que nela existia. A água correu para a enorme brecha com um ruído ainda mais assutador do que o que a terra tinha feito quando se abriu. A pouco e pouco as forças foram-se equilibrando. A terra aceitou a água e juntos foram-se acomodando uma à outra. Passaram-se os anos, as estações, as gerações, as épocas, os milénios e ao longo do tempo a harmonia das forças deixou-nos este espectáculo deslumbrante.

Nessa África enorme essa fractura deu origem a Madagáscar e aos grandes lagos. Victoria, Tanzania e Niassa. Foi o início de grandes rios como o Nilo e o Zambeze. Deu origem às cataratas de Victoria. 

Foi um acontecimento fabuloso, logo no início das formações dos continentes e da movimentação das placas continentais. Pouco depois da Terra ter arrefecido.
 

Wednesday, September 14, 2011

The New Harvest

http://www.bbc.co.uk/news/science-environment-11890702

Quero deixar aqui uma recomendação à leitura do livro -The New Harvest, Agricultural Innovation in Africa, by Calestous Juma.

Não sei se já há uma tradução para o português, mas para todas as pessoas que se interessam por um desenvolvimento sustentável em África, este livro é um “must read”.

'nando

Saturday, August 27, 2011

Aquela outra ideia... (2)

Taipa de pilão e tijolo de adobe

Antes de tocarmos no assunto da ventilação necessária para tornar mais confortáveis as habitações mais simples, que é do que se tratam estes blogues, achei por bem descrever algumas das técnicas existentes para a construção do tijolo cru, tijolo de adobe, adobe, taipa, taipa de pilão, pau-a-pique, ou outros nomes que se lhes possam chamar.

Nas minhas pesquisas encontrei dois sites que dizem tudo. E como não gosto de redescobrir, nem rodas nem pólvoras, aqui vão os dois sites:
Os autores fizeram o trabalho todo. Compete-nos ler, aprender o que fizeram e aplicar às nossas condições locais.

Boa aprendizagem.

Friday, August 26, 2011

Aquela outra ideia...

... acho que vale a pena desenvolver um pouco mais...

Estou a referir-me à ideia, ou às ideias, das habitações em climas tropicais, que podem ser construidas pela população mais carente, a que só tem como recursos os materiais que a terra lhes dá, e pouco mais. O que vou aqui descrever não é meu, ou não é só meu. Muitos estudiosos já trabalharam sobre estes temas. O que eu quero fazer aqui é descrever um conjunto de ideias que podem melhorar as condições de vida das habitações humildes, em climas tropicais, em especial em África e em particular em Moçambique.

Como os climas tropicais não são todos iguais, vou limitar-me ao clima de Moçambique, que também não é todo igual de norte a sul, mas como é um território alongado à beira do Oceano Índico, as diversas zonas do país têm muitas características comuns. Essas características podem resumir-se em:
  • o Sol anda pelo norte todo o ano,
  • temperaturas muito quentes na estação quente,
  • temperaturas amenas na estação fria (embora à noite fique frio),
  • a época das chuvas é na estação quente,
  • o vento predominante vem do Oceano Índico.
E a habitação, o que deve ser? Deve aproveitar estas condições ou defender-se delas, o que acontece com muitos dos tipos tradicionais de construção moçambicana. Mas podemos melhorar sem trair as tradições. E assim precisamos de habitações que:
  • sejam viradas a Sul para não apanharem muito Sol,
  • muita sombra sobre janelas e portas pela mesma razão,
  • criar ventilação natural para refrescar, em especial à noite,
  • aproveitar os ventos do Índico nas zonas costeiras,
  • isolar do calor do Sol, e do frio nas noites da estação fria,
  • usar materiais naturais disponíveis a todos,
  • colher ou cultivar esses materiais.
Esta lista é uma simplificação, mas dá para começar. Depois, com esta base, podemos refinar as diversas características para cada zona do país onde seja preciso construir uma habitação.

Mas antes de partirmos para os detalhes, permitam que vos dê a minha perspectiva: independentemente do formato da habitação, redonda como uma palhota, ou rectangular como uma casa de bloco de cimento, a construção com paredes de barro e telhados de capim são o ideal para o clima de Moçambique. E com um pouco de jeito podemos ter habitações humildes mas confortáveis. O resto, o bloco de cimento, o zinco, não são solução para este clima.

Vamos começar pelo isolamento natural. Num blogue a seguir, falaremos da ventilação natural. Em África é preciso isolar do calor quase todos os dias do ano, e do frio, principalmente à noite.

Na construção tradicional, o capim, o caniço, o tijolo de barro cru, são bons isolantes do calor e do frio. E destes, talvez o tijolo de barro seja o mais isolante, mais resistente, além de não deixar entrar o vento e a poeira como acontece com o caniço ou o capim. Já o bloco de cimento não isola bem, nem do calor nem do frio, e muito menos a chapa de zinco, o que torna essas construções muito desconfortáveis.


O tijolo de barro pode ser feito com uma mistura de casca de arroz ou capim cortado miudinho. Estes materiais, misturados no barro, criam pequenos espaços de ar, o que torna o tijolo ainda mais isolante. Além do barro, também há a terra batida, muito usada em África, mas considerada tradicional e por isso tem caído em desmerecido desuso. Mas está a haver um renascimento deste material e deste modo de construção que usa muito pouca água.

Ora estes materiais dão bem para as paredes. E os telhados?


Para esses, o melhor ainda é o capim e noutras áreas, a folha do coqueiro. Pode ser feito com simplicidade ou com muito detalhe, dependendo da tradição local, e isola bem do calor, do frio, e dos ruídos. Quando bem feito, não há chuva que lá entre. Estas coberturas têm sido usadas por muitos povos em todos os continentes, e está a haver um renascimento, devido às suas qualidades por não precisarem de processos complexos e caros de fabricação.

No próximo artigo vamos conversar sobre a ventilação natural necessária para o nosso clima. Esta é uma contribuição para a melhoria as condições da construção tradicional.