Tenho acompanhado com muita ansiedade misturada de alegria e por vezes um pouco de tristeza o desempenho dos nossos atletas.
Tenho-me deliciado a ver pela televisão equipas e indivíduos com a nossa bandeira bordada no peito e o sangue luso no coração a dar tudo por tudo para conseguirem ficar bem colocados. Muitas vezes a vencer obstáculos com os quais nós nem sonhamos.
Tenho-os visto a bater atletas de países que consideramos "fortes" o que me tem dado muito orgulho, ansiedade e alegrias indescritíveis.
Mas também tenho observado e notado o modo como os nossos comentadores conseguem sempre encontrar uma maneira de expressar os deliciosos resultados obtidos em termos que considero negativos, derrotistas até.
Tenho ouvido comentários como - ah, aquele atleta por tantos décimos de segundo que não conseguia... a nossa equipa nem sequer chegou a... por pouco que aquela vitória não era desse ou daquela atleta. Se não fosse a adversária ter perdido o ritmo...
Aí as minhas emoções passam-se da ansiedade para a angústia e para a ira, para uma quase raiva que não sei explicar. Será que não há palavras diferentes para descrever o que os nossos atletas conseguiram? Para ilustrar o que quero dizer, deixem-me transcrever o parágrafo anterior de um modo mais positivo.
Por exemplo - ah,
aquele atleta conseguiu, por meros décimos de segundo, arrancar a vitória das garras do adversário... a
nossa equipa conseguiu fazer aquilo que equipas consideradas mais fortes e com mais experiência não conseguiram... aquela vitória
foi sensacional! Uma luta renhida até ao fim! A nossa atleta não perdeu o
ritmo...
Só no país do não, que já descrevi aqui neste blogue, é que eu observei tal negatividade. Tenho muito receio que nos estejamos a deixar influenciar pelo país do não. Sei que não é longe, esse país, mas acho que temos garra para não nos deixarmos influenciar pelo que lá se faz.
Será que os comentadores da televisão têm andado a visitar esse país do não tão frequentemente que já se deixaram cair nessas práticas tão derrotistas? Se isso é verdade, então é altura de se lhes retirar o microfone, e, já agora, o cartão do sindicato.
Não merecem, nem um, nem o outro.