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Sunday, September 4, 2011

Variações nas ideias de habitações...

Quando se constroi um primeiro modelo acabamos sempre for encontrar detalhes de que não gostamos. Por vezes temos a sorte de encontrar amigos ou interessados que nos apontam possíveis problemas na execução do projecto na vida real. E isso é bom. Dá para repensar, e até dar asas a novas ideias ou apenas algumas variações interessantes.

Neste caso tive a contribuição de uma pessoa interessada e versada no tema que reparou nos problemas que se levantariam com a retenção das águas da chuva ao longo das interseções dos tectos individuais bem como no centro do conjunto antes da adição da cobertura final. Essa observação suscitou novas explorações do modelo.

Entre as alternativas para a geometria da cobertura... se calhar, pensei... podemos usar uma mistura de cobertura cónica tradicional com um telhado de duas águas para resolver o problema. E assim foram criadas coberturas individuais, que todas juntas, formassem um cone, evitando as interseções entre unidades.


Repetiu-se a ideia de modo a formar duas águas circulares. Uma vertendo para fora e a outra vertendo para dentro. Esta última ainda acarreta o problema de uma possível acumulação de água das chuvas no centro do conjunto antes de se lhe colocar uma cobertura final... mas já lá vamos...


Claro que quando se adiciona uma cobertura final este último problema fica resolvido.

As unidades podem ser circulares, como foi o caso deste modelo:


Ou podem ser truncadas para dar lugar a um espaço comum mais amplo no meio do conjunto:


Neste caso os espaços individuais não foram fechados. Mas podem ser fechados, o que aconteceria se as unidades fossem construidas a pouco e pouco, à medida das necessidades ou da disponibilidade de fundos, mão de obra e materiais.


As variações vão-se sucedendo e é assim que a arquitectura das habitações se desenvolve. Uma ideia puxa a outra. Se estas ideias gerarem outras, fico contente.

Para mais detalhes há uns modelos a 3 dimensões no Google 3D warehouse. É buscar com as palavras chave africa, hut, nando.



Saturday, August 27, 2011

Aquela outra ideia... (2)

Taipa de pilão e tijolo de adobe

Antes de tocarmos no assunto da ventilação necessária para tornar mais confortáveis as habitações mais simples, que é do que se tratam estes blogues, achei por bem descrever algumas das técnicas existentes para a construção do tijolo cru, tijolo de adobe, adobe, taipa, taipa de pilão, pau-a-pique, ou outros nomes que se lhes possam chamar.

Nas minhas pesquisas encontrei dois sites que dizem tudo. E como não gosto de redescobrir, nem rodas nem pólvoras, aqui vão os dois sites:
Os autores fizeram o trabalho todo. Compete-nos ler, aprender o que fizeram e aplicar às nossas condições locais.

Boa aprendizagem.

Friday, August 26, 2011

Aquela outra ideia...

... acho que vale a pena desenvolver um pouco mais...

Estou a referir-me à ideia, ou às ideias, das habitações em climas tropicais, que podem ser construidas pela população mais carente, a que só tem como recursos os materiais que a terra lhes dá, e pouco mais. O que vou aqui descrever não é meu, ou não é só meu. Muitos estudiosos já trabalharam sobre estes temas. O que eu quero fazer aqui é descrever um conjunto de ideias que podem melhorar as condições de vida das habitações humildes, em climas tropicais, em especial em África e em particular em Moçambique.

Como os climas tropicais não são todos iguais, vou limitar-me ao clima de Moçambique, que também não é todo igual de norte a sul, mas como é um território alongado à beira do Oceano Índico, as diversas zonas do país têm muitas características comuns. Essas características podem resumir-se em:
  • o Sol anda pelo norte todo o ano,
  • temperaturas muito quentes na estação quente,
  • temperaturas amenas na estação fria (embora à noite fique frio),
  • a época das chuvas é na estação quente,
  • o vento predominante vem do Oceano Índico.
E a habitação, o que deve ser? Deve aproveitar estas condições ou defender-se delas, o que acontece com muitos dos tipos tradicionais de construção moçambicana. Mas podemos melhorar sem trair as tradições. E assim precisamos de habitações que:
  • sejam viradas a Sul para não apanharem muito Sol,
  • muita sombra sobre janelas e portas pela mesma razão,
  • criar ventilação natural para refrescar, em especial à noite,
  • aproveitar os ventos do Índico nas zonas costeiras,
  • isolar do calor do Sol, e do frio nas noites da estação fria,
  • usar materiais naturais disponíveis a todos,
  • colher ou cultivar esses materiais.
Esta lista é uma simplificação, mas dá para começar. Depois, com esta base, podemos refinar as diversas características para cada zona do país onde seja preciso construir uma habitação.

Mas antes de partirmos para os detalhes, permitam que vos dê a minha perspectiva: independentemente do formato da habitação, redonda como uma palhota, ou rectangular como uma casa de bloco de cimento, a construção com paredes de barro e telhados de capim são o ideal para o clima de Moçambique. E com um pouco de jeito podemos ter habitações humildes mas confortáveis. O resto, o bloco de cimento, o zinco, não são solução para este clima.

Vamos começar pelo isolamento natural. Num blogue a seguir, falaremos da ventilação natural. Em África é preciso isolar do calor quase todos os dias do ano, e do frio, principalmente à noite.

Na construção tradicional, o capim, o caniço, o tijolo de barro cru, são bons isolantes do calor e do frio. E destes, talvez o tijolo de barro seja o mais isolante, mais resistente, além de não deixar entrar o vento e a poeira como acontece com o caniço ou o capim. Já o bloco de cimento não isola bem, nem do calor nem do frio, e muito menos a chapa de zinco, o que torna essas construções muito desconfortáveis.


O tijolo de barro pode ser feito com uma mistura de casca de arroz ou capim cortado miudinho. Estes materiais, misturados no barro, criam pequenos espaços de ar, o que torna o tijolo ainda mais isolante. Além do barro, também há a terra batida, muito usada em África, mas considerada tradicional e por isso tem caído em desmerecido desuso. Mas está a haver um renascimento deste material e deste modo de construção que usa muito pouca água.

Ora estes materiais dão bem para as paredes. E os telhados?


Para esses, o melhor ainda é o capim e noutras áreas, a folha do coqueiro. Pode ser feito com simplicidade ou com muito detalhe, dependendo da tradição local, e isola bem do calor, do frio, e dos ruídos. Quando bem feito, não há chuva que lá entre. Estas coberturas têm sido usadas por muitos povos em todos os continentes, e está a haver um renascimento, devido às suas qualidades por não precisarem de processos complexos e caros de fabricação.

No próximo artigo vamos conversar sobre a ventilação natural necessária para o nosso clima. Esta é uma contribuição para a melhoria as condições da construção tradicional.

Wednesday, August 24, 2011

Outra ideia...

Outro centro social ou moradia tropical simples

Por vezes há necessidade de um centro social ou de saúde com mais espaço do que já foi descrito aqui neste blogue sob o título de Uma ideia. Além disso, a tradição local pode estar mais associada a construções rectangulares, do que a construções circulares. É importante respeitar estas tendências locais e culturais.

Deste tipo de construção rectangular já há vários exemplos construidos em postos a bom uso, como o desta escola em Cabo Delgado, Moçambique:


É uma construção que está muito bem detalhada no site da organização Architecture for Humanity e combina bem métodos inovadores e tradicionais.

Mas vamos explorar um pouco esta outra ideia de construção modular simples e com características um pouco diferentes das até agora apresentadas.


Entre elas, um átrio interior, onde crianças podem brincar em segurança, e onde a família se pode reunir fora da vista de curiosos e intrusos. A cobertura central foi pensada para dar acesso às diversas divisões, mesmo debaixo de chuva, e aberto no centro para melhor circulação de ar, em particular, dando saída ao ar quente, de que temos bastante em África.

As coberturas são viradas para fora e umas vertendo sobre as outras, maximizando a colheita da água da chuva. Na planta simplificada abaixo podemos observar alguns destes pormenores.



Publiquei um modelo virtual desta ideia no site 3D Warehouse da Google. O 3D Warehouse é um repositório muito interessante e que permite avaliar os modelos lá publicados em 3 dimensões com o programa livre Sketchup fornecido pela Google.

A ideia está arquivada sob as palavras chaves nando, africa, e o projecto é a Moradia tropical simples.

Pronto. Aqui está para quem se interessar. Quem sabe? Esta ideia pode até mesmo nunca ser utilizada, mas se despertar outras, diferentes, melhores, ou mais apropriadas aos meios a que se possam destinar, folgo com isso.

A criatividade é uma simbiose que acontece quando mentes se juntam e partilham ideias sem negativismos, sem agendas escondidas, e sempre com um "... e se nós adicionarmos isto em vez daquilo?..." na ponta da língua. A criatividade é isso. Não há segredos nem fórmulas sobre a criatividade como alguns pretendem que seja...

Espero que este pequeno trabalho contribua para a melhoria das condições de vida de muita gente. Estou disponível e interessado em contribuir.

Namasté

p.s. Não há da minha parte qualquer interesse em promover companhias ou produtos mencionados neste ou em qualquer outro dos meus blogues. Apenas menciono o que uso, e como são de uso livre, não implicam dispêndios de dinheiro que pode ser usado nas construções.