Monday, November 21, 2011

Petição aos governantes

O que os governantes têm de fazer, já!

Tem corrido uma mensagem, ora em e-mails, ora no facebook, com uns 30 pontos que a Troika queria ou deveria ter feito e não conseguiu. Li e reli o dito documento. Quis contribuir mas não consegui engrenar no "thinking process" do autor. Por isso resolvi atacar o problema de outra forma, ou seja, criando 6 objectivos para os governantes de Portugal, e em seguida algumas iniciativas que apoiassem esses objectivos.

O que os nossos governantes têm de fazer quanto antes não é pera doce. Esta conjuntura necessita de novas maneiras de pensar. Um novo mind-set, uma mentalidade aberta capaz de ponderar os riscos mas capaz de seguir em frente sem temor. Não poderemos solucionar a situação em que nos encontramos repetindo os passos que nos trouxeram até aqui.

Primeiro que tudo temos de identificar com clareza o conjunto de problemas que nos aflige. Depois temos de criar um conjunto de objectivos que por sua vez nos levarão a iniciativas e acções, e estas a resultados mensuráveis e verificáveis.

De momento vou, propositadamente, passar por cima da etapa de definição dos problemas que nos rodeiam. A minha razão não é imune a críticas, mas acho que estes têm sido falados e ventilados vezes suficientes para podermos, para o efeito deste documento, passar aos objectivos e iniciativas específicas.

Em qualquer destes exercícios há sempre um dilema a considerar que aparece sob a forma do síndrome do ovo e da galinha. Tentei dar prioridade à galinha de modo a que o ovo não ficasse desprezado mas fosse reconhecido como o esforço da galinha. Um pouco de humor ajuda.

Aventuro aqui o meu conjunto de objectivos que considero importantes para Portugal:

Objectivos nacionais fundamentais

1. Criar uma política económica independente do crescimento do PIB

atingir a auto-suficiencia económica e financeira,

fomentar o bem-estar social e a mais-valia social,

conservar o património natural e nacional,

incentivar a sustentabilidade dos investimentos,

criar uma estrutura de avaliação do impacto das medidas tomadas.

2. Desenvolver a produção nacional das PMEs

redefinir a classificação de PME

para consumo interno – reduzir a dependência nas importações

para exportação – para angariar divisas e incrementar as receitas

para criar postos de trabalho

3. Incrementar a educação

para melhorar a competitividade

para atrair postos de trabalho dignos do ser humano

proporcionar a participação activa do cidadão na política nacional e Europeia

4. Incrementar o apoio à saúde e aos benefícios sociais

para melhorar a produtividade e a competitividade

atrair postos de trabalho progressistas

criar um ambiente de inter-apoio entre as diversas faixas etárias

5. Atrair investimentos com perspectivas futuras sustentáveis

eliminar paraísos fiscais

colocar enfase em tecnologias de alto impacto nacional

redefinir as estatísticas de crescimento económico/social

6. Reduzir o desemprego e a desigualdade social

oferecer benefícios fiscais a empresas que criem postos de trabalho

reduzir a desigualdade ocupacional e social da nossa população

Estes poderiam ser mais elaborados. O ordenamento das prioridades é importante pois que alguns objectivos são de cariz mais imediato, enquanto outros são imperativos para se atingirem objectivos de mais longo prazo, como a educação, a saúde e o bem-estar social. Mas acho que para já podemos partir deste conjunto de objectivos como base para uma análise mais detalhada e aprofundada mais tarde.

Passemos então a um conjunto de iniciativas que possam apoiar estes objectivos e torná-los em actividades exequíveis e palpáveis.


Iniciativas necessárias para atingir os objectivos

Proponho um conjunto de iniciativas que possam tornar os objectivos exequíveis e passíveis de avaliação qualitativa e quantitativa. É de salientar que quaisquer medidas a tomar têm de ser mensuráveis e avaliadas quantitativamente Há necessidade de incutir confiança no povo português que já perdeu muita dessa confiança no sistema político, no sistema financeiro, nos seus protagonistas, e nos seus dirigentes. Acredito que este tipo de medidas e iniciativas levantarão do chão essa confiança perdida. Criarão também vontade participar e de criar de um modo endémico e não apenas como uma resposta vã a apelos demagógicos.

1. Criar uma política económica independente do crescimento do PIB

atingir a auto-suficiencia económica e financeira,

fomentar o bem-estar social e a mais-valia social,

conservar o património natural e nacional,

incentivar a sustentabilidade dos investimentos,

criar uma estrutura de avaliação do impacto das medidas tomadas.

Adicionar ao PIB medidas de:

bem-estar social, conservação do património natural, sustentabilidade dos investimentos.

medir e avaliar o progresso atingido usando metodologias de avaliação do impacto socio-económico:

http://www.ecologica.org.br/index.php?option=com_k2&view=item&layout=item&id=10&Itemid=8

http://en.wikipedia.org/wiki/Social_impact_assessment

http://sroi.london.edu/Measuring-Social-Impact.pdf

http://www.riseproject.org/Social%20Impact%20Assessment.pdf

Retirar do PIB medidas que não representam crescimento real

Como exemplo:

· o aumento nas vendas de carros de assalto e equipamento policial e militar que não é crescimento real mas apenas uma despesa em resposta a um crescimento na taxa de criminalidade que por sua vez é o resultado de abandono e marginalização de certos grupos sociais.

· o aumento nas vendas de ambulâncias e outro equipamento clínico não é necessàriamente crescimento real, mas apenas uma resposta ao aumento de patologias e/ou falta de apoio aos idosos e/ou à população em geral..

Estas medidas atraem investimentos de empresas com perspectivas futuristas e afastam empresas com perspectivas oportunistas do momento, ou do financiamento fácil, como a construção civil sem base nas necessidades sociais, empresariais e estatísticas demográficas.

2. Desenvolver a produção nacional das PMEs

redefinir a classificaçãode PME

para consumo interno – reduzir a dependência nas importações

para exportação – para angariar divisas, incrementar as receitas e promover a procura de produção nacional

para criar postos de trabalho de mais-valia e dignos do ser humano

A PME necessita de ser a empresa com menos de 50 funcionários

estas são as mais vulneráveis e representam 64% dos postos de trabalho

neste grupo incluem-se as empresas que dinamizam as localidades mais pequenas e do interior do país

Criar polos de interação entre estabelecimentos de ensino e empresas

promover processos naturais de criatividade e sinergismos locais

Criar polos de interação a nível de concelhos e freguesias com o mesmo fim


3. Incrementar a educação profissional e cívica

para melhorar a competitividade

para atrair postos de trabalho de mais-valia e dignos do ser humano

proporcionar a participação activa do cidadão na política nacional e Europeia

Promover a educação política do cidadão e a sua participação activa nas causas de valor

Incentivar a educação como base fundamental de uma vida de valores humanos

criar valores como a honestidade e moderar o conceito de salários altos, ganhos imediatos e consumismo insustentável.

4. Incrementar o apoio à saúde e aos benefícios sociais

para melhorar a produtividade e a competitividade

atrair postos de trabalho com futuro e fomentadores de progresso

criar um ambiente de inter-apoio entre as diversas faixas etárias

A saúde e a educação são pedras basilares para um país próspero e orientado para o desenvolvimento, não necessáriamente o crescimento apenas económico. O mundo está num estado de saturação com a exploração de recursos naturais. No passado dia 21 de setembro os habitantes da Terra acabaram de usar todos os recursos que a Terra consegue produzir sustentavelmente em um ano. Estamos portanto em vembro a funcionar em hipoteca do ano 2012, fenómeno que já aconteceu durante todo o mês de outubro.

5. Atrair investimentos com perspectivas futuras sustentáveis

eliminar paraísos fiscais

colocar enfase em tecnologias de alto impacto nacional

redefinir as estatísticas de crescimento económico/social – vide objectivo nº 1 acima

Acabar os paraísos fiscais

Estes apenas protegem os endinheirados que não investem na economia real nem se interessam por investimentos a longo prazo mas reduzem a receita fiscal do país. Paraísos fiscais atraem capital especulativo que não tem perspectivas de futuro.

Dissiminar o conhecimento das necessidades e capacidades do país

O conhecimento das necessidades e capacidades específicas é fundamental para que o eleitor possa fazer escolhas acertadas quanto aos investimentos.


6. Reduzir o desemprego e a desigualdade social

oferecer benefícios fiscais a empresas que criem postos de trabalho

reduzir a desigualdade ocupacional e social da nossa população

Proporcionar incentivos fiscais a empresas que criem postos de trabalho

Fomentar a indústria transformadora

Retirar incentivos fiscais a empresas que não produzam riqueza local.

A empresas de investimentos na bolsa (que criam muito poucos postos de trabalho e não produzem riqueza real),

Aos supermercados que importam a maior parte dos seus produtos e criam poucos postos de trabalho a salários miseráveis.

A todas as empresas criadoras de endinheirados que não investem na economia real.

Eliminar o financiamento dos partidos políticos com verbas públicas.

Todas as contas do estado são do domínio público e transparentes e não devem beneficiar discriminadamente.

Eliminar a porta rotativa dos políticos e empresários:

Eliminar os motoristas privados e dos departamentos do estado,

Estabelecer car-pools e mover estes motoristas para outros empregos.

Embargar durante 3 anos a transição de altos funcionários do estado para cargos noutras instituições onde haja conflito de interesses.

Limitar todas as reformas e ajustar anualmente segundo o índice do custo de vida.

Impor mínimos de liquidez a todos os bancos e empresas financeiras.

Criar recursos legais rápidos para que cidadãos suspeitos de fraude e criminalidade não sobrecarreguem o sistema jurídico até se livrarem das suas responsabilidades.

Suspender os seus cargos de imediato e impedir de concorrerem de novo.

Criar limites legais à extensão de julgamentos

Eliminar a prescrição e a liberdade de indivíduos com credibilidade duvidosa.

Criar transparência em todos os organismos e acordos.

Eliminar condições contratuais que prejudicam o bom funcionamento das organizações

Um exemplo de nota é o programa de Bolonha. Tem, sem dúvida, beneficiado muitos estudantes, mas que está minado por condições de produtividade de alunos e professores que não beneficiam a qualidade do trabalhos dos mesmos. http://www.scielo.br/pdf/es/v31n110/14.pdf

Estas medidas criam confiança nos cidadãos e estabelecem um clima em que o mérito e o trabalho são remunerados e as tentativas de fraude ou crime, mesmo que muito bem encobertas, não compensam. O cidadão que sente que há justiça, ganha confiança e esforça-se por melhorar a sua vida e a dos seus. O cidadão desmoralizado deixa-se no queixume e atrofia. Com ele atrofia o país.

É intencional que aqui não haja nada sobre crescimento económico, salários baixos, crescimento do PIB, grandes obras, ou financiamentos fáceis para produzir resultados a curto prazo. Um Portugal concentrado nessas preocupações tirou os olhos da bola e não é sustentável no século XXI.

O resultado está à vista.

Precisamos de uma nova maneira de pensar, de um novo mind-set, foi o que tentei fazer acima. Espero que seja material digno de avaliação, reflexão e elaboração. Se assim for, terei preenchido a minha ambição quando me agarrei a este enfadonho teclado “QWERT”, produto do século XIX e potencial alvo da criatividade Lusa para um teclado e um futuro melhor.

Fernando Aidos da Cruz

Nota: Este documento foi criado segundo a ortografia aprendida nas escolas do século passado e deturpada ao longo de anos de utilização livre.

Saturday, November 5, 2011

Será que...

Pergunta a responder:

Será que o problema que confronta a EU e Portugal é a muita erudição e a pouca sabedoria dos seus economistas e financeiros?

Metodologia para a solução da pergunta:

Um pastor morreu. Tinha 17 camelos e 3 filhos.

Quando seu testamento foi aberto, dizia que a metade dos camelos seria do filho mais velho, um terço seria do segundo e um nono do terceiro.

O que fazer?

Eram dezassete camelos; a metade seria dada ao mais velho. Então um dos animais deveria ser cortado ao meio?

Isso não iria dar certo, porque um terço deveria ser dado ao segundo filho. E a nona parte ao terceiro. É claro que os filhos correram em busca do homem mais erudito da cidade, o estudioso, o matemático.

Ele pensou muito e não conseguiu encontrar a solução.

- Matemática é matemática.

Alguém sugeriu: "É melhor procurarem alguém que conheça sobre camelos ao invés de matemática". Foram então ao Sheik da cidade, um homem bastante idoso, inculto, porém sábio por sua experiência. Contaram-lhe o problema.

O velho riu e disse:

- É muito simples, não se preocupem".

Emprestou um dos seus camelos - eram agora 18 - e depois fez a divisão.

Nove foram dados ao primeiro filho, que ficou satisfeito. Ao segundo coube a terça parte - seis camelos; e ao terceiro filho, foram dados dois camelos - a nona parte.

Sobrou um camelo - o que foi emprestado!

O velho então, pegou seu camelo de volta e disse:

- "Agora podem ir".

Essa história foi contada no livro "Palavras de fogo", de Rajneesh.

Ele conclui dizendo:

A sabedoria é prática, o que não acontece com a erudição!

A cultura é abstracta, a sabedoria é terrena; a erudição são palavras e a sabedoria é experiência"!

Resposta:

... o problema que confronta a EU e Portugal é a muita erudição e a pouca sabedoria dos seus economistas e financeiros ...


Notas:

Faz-se uma pequena alteração à frase... seguindo o esquema do Sheik...
E devolve-se o Será que e o ?...

Tuesday, November 1, 2011

Dia de finados

(dedicado a todos e todas que já partiram …)

Não sou apologista da veneração dos mortos mas aprendi, com anciãos de várias culturas, a respeitá-los, a apreciar o legado de sabedoria que nos deixaram, e a ouvi-los em certos momentos preciosos de silêncio.

Sem ordem certa nem tentativa de imprimir mais apreciação por uns ou outros, pois cada um ou uma deixou em mim impressões e sabedoria que nunca esquecerei, dedico estas linhas àqueles que já partiram e que sempre lembrarei.

À Marie, com quem sempre conversei como se nos faltasse tempo para contar tudo o que a vida nos tinha proporcionado e tudo o que a vida nos tinha tirado. As decisões que tomámos na vida e que nessa altura já pareciam tolas ou tolos fomos nós.

À Cinthia, mulher de armas, conselheira, amiga, compreensiva, que não julgava, que sempre foi além das suas forças para proteger os seus e que perdi quando mais falta me fazia. Ela sabia disso mas a doença foi mais forte do que ela e do que os nossos desejos todos juntos.

Ao Harold, um homem no fim da sua carreira na Terra que me acarinhou, me incluiu no seio dos seus queridos, e me tratou como filho. Um homem sem orgulhos, sem vaidades, dono de si mesmo, cuja partida chorei como uma criança.

À Rita, que nunca cheguei a conhecer bem como gostaria de ter conhecido, mas que me marcou pela sua amizade, pela sua sabedoria da vida, pela sua capacidade de sobrevivência às intempéries da vida.

Ao Afonso, meu tio, um homem que, como muitos de nós, teve de deixar a sua terra natal para fazer frente à vida. Um homem honesto, dedicado à sua família, aventureiro, embora por fora parecesse a essência da premeditação. Fez do país de outrem o seu país e lá criou os seus filhos, mas sempre teve no fundo do coração um pouco que o puxava à terra onde tinha nascido.

À Chloe, a gata mais nova, arisca, brincalhona, dona da casa, que vi transformar-se, em segundos, num farrapo de sofrimento que a ciência não conseguiu travar. Dias mais tarde apareceu-me em sonhos. Estranho à primeira impressão, mas que me acalmou do sentimento de impotência que a sua morte me causou. Apareceu para dizer que estava bem, que não me preocupasse. Apareceu? Ficção da minha mente? Não sei responder, mas apaziguou-me.

Ao Francisco, meu pai, um homem que, sem saber, me estava a proporcionar as oportunidades que depois fizeram de mim quem sou. Um homem com uma vida atribulada pela busca do amor, da verdade e da justiça.

Salvaterra de Magos, 1 de novembro de 2011

Nando Cruz

Extracts from a book yet to be “Angels in my life”