Friday, November 27, 2015
Não há esperança?
Friday, August 9, 2013
Medo do povo
... agora, com uma lupa mais forte, vemos então que o povo daquela freguesia não confia no povo dessa freguesia, e muito menos no povo da freguesia ao lado, de quem depende, e a quem presta serviços.
... usando agora umas lentes ainda mais fortes, vemos que o povo que vive naquela rua ensolarada desconfia do outro povo que também vive na mesma rua. Não partilha em nada. A rua é dele, esse povo é dono dessa rua, mas ele não confia nos outros donos da rua, e por isso não se juntam para, com a força toda do povo, serem donos a valer dessa rua.
... e na escola do bairro os alunos não confiam nos professores, e os professores têm medo.
É assim este povo.
... de grupo em grupo, de profissão em profissão, de freguesia em freguesia, de pais para filhos, embrulha-se numa cultura de medo, que cultiva a desconfiança, que cultiva a arrogância que a nenhum fim saudável nos leva.
... e então, com esse medo, o povo vota naqueles de quem tem medo. E esses têm medo de quem vota neles.
Este povo tem medo de mudar aquilo que é preciso mudar para poder ser um povo em toda a sua pujança.
Thursday, August 8, 2013
História de Portugal em poucas palavras
Isso aconteceu no tempo das conquistas, no tempo das descobertas, no tempo da presença em África, no tempo do Estado Novo, e agora, no tempo do pós 25 de Abril.
A única diferença está no nível de riquezas disponíveis para explorar em cada uma dessas épocas, e na cor da pele dos explorados.
Essas "elites" nunca quiseram criar um país onde houvesse oportunidade para inovação, para criatividade, para desenvolvimento, para o bem estar e orgulho do povo.
Tudo tem girado à volta do enriquecimento de uns poucos, e todos quantos têm oportunidade ou estômago para isso, encostam-se ao sistema para se encherem.
Extraído de História de Portugal em poucas palavras (um livro que não existe).
Thursday, September 13, 2012
Na manifestação de 15 de Setembro.
Sei que vamos fazer barulho e acusar os dirigentes e políticos de todas
as suas más condutas.
Mas vamos apenas para deitar cá para fora a nossa raiva?
Que alguém nos vai prestar atenção?
Que depois iremos ver mudanças no que nos aflige?
Tenho imensas dúvidas.
Acredito porém que devemos fazer ouvir a nossa revolta,
mas, temos de exigir que coisas aconteçam.
Por mim, quero exigir:
- Que se demitam todos os dirigentes a todos os níveis,
- Que se crie um governo provisório até às próximas eleições,
- Que haja eleições a todos os níveis em Novembro de 2012.
- Que se investiguem as causas, os incentivos, os actores,
e os beneficiários desta crise em que nos meteram,
- Que se estabeleçam objectivos para o país e para os cidadãos.
para que não seja sempre esse famigerado PIB e esse défice
que acabam por nos sacrificar para além dos nossos pecados.
Desejo que se não forem estas as nossas exigências, que haja outras,
Wednesday, October 19, 2011
O que os governantes têm de fazer, já!
Tem corrido uma mensagem, ora em email, ora em facebook, com uns 30 pontos que a Troika queria ou deveria ter feito e não conseguiu. Li e reli o dito documento. Quis contribuir mas não a consegui engrenar no "thinking process" do autor. Por isso resolvi atacar o problema de outra forma, ou seja, criando 6 objectivos para os governantes de Portugal, e em seguida algumas iniciativas que apoiassem esses objectivos.
O que os nossos governantes têm de fazer quanto antes não é pera doce. Esta conjuntura necessita de novas maneiras de pensar. Um novo mind-set, uma mentalidade aberta capaz de ponderar os riscos mas capaz de seguir em frente sem temor. Não poderemos solucionar a situação em que nos encontramos repetindo os passos (nem os coelhos) que nos trouxeram até aqui.
Primeiro que tudo temos de identificar com clareza o conjunto de problemas que nos aflige. Depois temos de criar um conjunto de objectivos que por sua vez nos levarão a iniciativas e acções, e estas a resultados mensuráveis e verificáveis.
De momento vou, propositadamente, passar por cima da etapa de definição dos problemas que nos rodeiam. A minha razão não é imune a críticas, mas acho que estes têm sido falados e ventilados vezes suficientes para podermos, para o efeito deste arrazoado, passar aos objectivos e iniciativas específicas.
Em qualquer destes exercícios há sempre um dilema a considerar que aparece sob a forma do síndrome do ovo e da galinha. Tentei dar prioridade à galinha de modo a que o ovo não seja desprezado mas seja o resultado do esforço da galinha.
Aventuro aqui o meu pequeno conjunto de objectivos que considero importantes para Portugal:
Criar objectivos nacionais fundamentais
1. Criar um política económica independente do crescimento do PIB
atingir a auto-suficiencia económica e financeira,
fomentar o bem-estar social e a mais-valia social,
conservar o património natural e nacional,
incentivar a sustentabilidade dos investimentos,
criar uma estrutura de avaliação do impacto das medidas tomadas.
2. Desenvolver a produção nacional das PMEs
para consumo interno – reduzir a dependência nas importações
para exportação – para angariar divisas e incrementar as receitas
para criar postos de trabalho
3. Atrair investimentos com perspectivas futuras sustentáveis
eliminar paraísos fiscais
colocar enfase em tecnologias de alto impacto nacional
redefinir as estatísticas de crescimento económico/social
4. Reduzir o desemprego e a desigualdade social
oferecer benefícios fiscais a empresas que criem postos de trabalho
reduzir a desigualdade ocupacional e social da nossa população
5. Incrementar a educação
para melhorar a competitividade
para atrair postos de trabalho
6. Incrementar o apoio à saúde e aos benefícios sociais
para melhorar a produtividade e a competitividade
atrair postos de trabalho progressistas
criar um ambiente de inter-apoio entre as diversas faixas etárias
Estes poderiam ser mais elaborados, mas para já partiremos deste conjunto de objectivos como base para uma análise mais detalhada e aprofundada mais tarde.
Iniciativas necessárias para atingir estes objectivos
1. Criar um política económica independente do crescimento do PIB
atingir a auto-suficiencia económica e financeira,
fomentar o bem-estar social e a mais-valia social,
conservar o património natural e nacional,
incentivar a sustentabilidade dos investimentos,
criar uma estrutura de avaliação do impacto das medidas tomadas.
Adicionar ao PIB medidas de:
bem-estar social, conservação do património natural, sustentabilidade dos investimentos, avaliação de impacto social.
medir e avaliar o progresso atingido usando metodologias existentes:
http://www.ecologica.org.br/index.php?option=com_k2&view=item&layout=item&id=10&Itemid=8
http://en.wikipedia.org/wiki/Social_impact_assessment
http://sroi.london.edu/Measuring-Social-Impact.pdf
http://www.riseproject.org/Social%20Impact%20Assessment.pdf
Retirar do PIB medidas que não representam crescimento real
Como exemplo temos o aumento nas vendas de carros de assalto e equipamento policial que não é crescimento real mas apenas uma despesa em resposta a um crescimento na taxa de criminalidade. O aumento nas vendas de ambulâncias e outro equipamento clínico não é necessàriamente crescimento real, mas apenas uma resposta ao aumento de patologias e/ou falta de apoio aos idosos e/ou população em geral..
Estas medidas atraem investimentos de empresas com perspectivas futuristas e afastam empresas com perspectivas oportunistas do momento, ou do financiamento fácil, como a construção civil sem base nas necessidades sociais, empresariais e estatísticas demográficas.
2. Desenvolver a produção nacional das PMEs
para consumo interno – reduzir a dependência nas importações
para exportação – para angariar divisas e incrementar as receitas
para criar postos de trabalho
Criar polos de interação entre estabelecimentos de ensino e empresas
promover processos naturais de criatividade e sinergismos locais
Criar polos de interação a nível de concelhos e freguesias com o mesmo fim
3. Atrair investimentos com perspectivas futuras sustentáveis
eliminar paraísos fiscais
colocar enfase em tecnologias de alto impacto nacional
redefinir as estatísticas de crescimento económico/social
Acabar os paraísos fiscais
Estes apenas protegem os ricos que não investem na economia real e reduzem a receita fiscal do país. Paraísos fiscais atraem capital especulativo que não tem perspectivas de futuro.
Criar limites legais à extensão de julgamentos
Eliminar a prescrição e a liberdade de indivíduos com credibilidade duvidosa.
4. Reduzir o desemprego e a desigualdade social
oferecer benefícios fiscais a empresas que criem postos de trabalho
reduzir a desigualdade ocupacional e social da nossa população
Proporcionar incentivos fiscais a empresas que criem postos de trabalho
Fomentar a indústria transformadora
Retirar incentivos fiscais a empresas que não produzam riqueza local.
A empresas de investimentos na bolsa (que criam muito poucos postos de trabalho e não produzem riqueza real),
Aos supermercados que importam a maior parte dos seus produtos e criam poucos postos de trabalho a salários miseráveis.
A todas as empresas criadoras de endinheirados que não investem na economia real.
Eliminar o financiamento dos partidos políticos com verbas públicas.
Todas as contas do estado são do domínio público e transparentes.
Eliminar a porta rotativa dos políticos e empresários:
Eliminar os motoristas privados e dos departamentos do estado,
Estabelecer car-pools e mover estes motoristas para outros empregos.
Embargar durante 3 anos a transição de altos funcionários do estado para cargos noutras instituições onde haja conflito de interesses.
Limitar todas as reformas e ajustar anualmente segundo o índice do custo de vida.
Impor mínimo de liquidez a todos os bancos e empresas financeiras.
Criar recursos legais rápidos para que cidadãos suspeitos de fraude e criminalidade não sobrecarreguem o sistema jurídico até se livrarem das suas responsabilidades.
Suspender os seus cargos de imediato e impedir de concorrerem de novo.
Criar transparência em todos os organismos e acordos.
Eliminar condições contratuais que prejudicam o bom funcionamento das organizações e.g. o programa de Bolonha, que tem beneficiado muitos estudantes, está minado por condições de produtividade de alunos e professores que não beneficiam a qualidade do trabalhos dos mesmos. http://www.scielo.br/pdf/es/v31n110/14.pdf .
Estas medidas criam confiança nos cidadãos e estabelecem um clima em que o mérito e o trabalho são remunerados e as tentativas de fraude ou crime, nem que muito bem encobertas, não compensam. O cidadão que sente que há justiça, ganha confiança e esforça-se por melhorar a sua vida e a dos seus. O cidadão desmoralizado deixa-se no queixume e atrofia. Com ele atrofia o país.
5. Incrementar a educação profissional e cívica
para melhorar a competitividade
para atrair postos de trabalho dignos do ser humano
proporcionar a participação activa do cidadão na política nacional e Europeia
Promover a educação política do cidadão e a sua participação activa nas causas de valor.
Incentivar a educação como base fundamental de uma vida de valores humanos e não apenas cheia de salários altos e consumismo insustentável.
6. Incrementar o apoio à saúde e aos benefícios sociais
para melhorar a produtividade e a competitividade
atrair postos de trabalho com futuro e fomentadores de progresso
criar um ambiente de inter-apoio entre as diversas faixas etárias
A saúde e a educação são pedras basilares para um país próspero e orientado para o desenvolvimento, não necessáriamente crescimento. O mundo está num estado de saturação com a exploração de recursos naturais. No passado dia 21 de setembro os habitantes da terra acabaram de usar todos os recursos que a Terra consegue produzir sustentavelmente em um ano. Estamos portanto em outubro a funcionar em hipoteca do ano 2012.
É intencional que não haja aqui nada sobre crescimento económico, salários baixos, crescimento do PIB, grandes obras, ou financiamentos fáceis para produzir resultados a curto prazo. Um Portugal concentrado nessas preocupações tirou os olhos da bola e não é sustentável nos século XXI.
O resultado está à vista.
Precisamos de uma nova maneira de pensar, de um novo mind-set, foi isso que tentei fazer acima. Espero que seja material digno de avaliação, reflexão e elaboração. Se assim for, terei preenchido a minha ambição quando me agarrei a este enfadonho teclado “QWERT”, produto do século XIX.
Fernando Aidos
Sunday, August 14, 2011
O (des) governo deste país
Tenho, como todos, assistido, assim como ouvido, bem como lido e relido sobre a paródia que é a política deste nosso torrão à beira mar plantado. Ainda bem que assim é. Imaginem se, com tanto hot air a sair da boca dos políticos não tivessemos a brisa marítima para nos refrescar...?
Tenho andado a tentar encontrar um termo de comparação para a disfuncionalidade nacional para ver se encontrava um modelo que me pudesse ajudar a compreender o que se está a passar. Até ontem todos os meus esforços tinham sido em vão. Mas ontem deu-me uma coisa ruim e acho que encontrei o tal modelo de que necessitava. É assim:
O país está a funcionar como uma empresa disfuncional. Eu explico. Imaginemos que, para esta empresa que é Portugal, e até às últimas eleições, a gerância desta estava organizada da seguinte maneira:
O PSD era o sales department - pois que parecia querer vender tudo a todos os clientes que quizessem comprar...
O PS era o marketing department - pelos vistos é tudo sugar coated e tudo era sensacional, pá... good marketing message...
O PCP era o human resources - só falava dos operários com teorias arcaicas... benefits, benefits, benefits...
O BE era o quality assurance - nada estava perfeito, era tudo um liability e ninguém lhes dava ouvidos...
O CDS era o finance department - isto por falta de outra função que também não necessitasse de criatividade...
O Governo era o manufacturing department - os que têm de produzir o que marketing inventa e o que o sales department quer to make quota...
OK. Então, com este cenário, era lógico que nada estivesse bem segundo o quality assurance, que os benefícios não fossem competitivos com o mercado de trabalho, que o produto não estivesse à medida do que os salesmen queriam, e que manufacturing não consiguisse fabricar o que todos diziam não ser aquilo. Daí que a solução muitas vezes apresentada pelo sales department fosse uma de outsourcing of all manufacturing. Manufacturing não sabe. A concorrência é que sabe. Já trabalhei numa empresa assim.
Numa empresa onde há um CEO e este está acordado, esta malta entraria nos eixos, porque haveria goals, objectives and measurements. Mas não é o caso desta nossa empresa desfuncional.
O que acontece então quando o CEO dorme? A empresa does not meet its sales quota and devalues. Neste caso começam a aparecer os credores ou algum corporate raider que toma a empresa de surpresa (o que não deveria ter sido surpresa) e adquire-a. Desfaz-se de tudo o que não é de valor, de todo o surplus, de todo o deadwood e revende a empresa fazendo lucro. Ainda não sei bem se a troika faz parte dos credores ou dos corporate raiders. Talvez me possam ajudar a avaliar.
À parte do lado humorista, eu fiquei um pouco mais elucidado em relação ao modo como um país deve funcionar, o que neste caso não tem acontecido (funcionado), e como deve ser gerido, o que neste caso também não tem acontecido (gerido). Não é assim tão complexo como os políticos tentam fazer a coisa!
Afinal, apercebi-me eu, gerir países aprende-se na vida profissional, nos MBAs e dos embates que a vida nos proporciona, os tais eventos que help us build character.
Estas foram as minhas conclusões após aquela coisa ruim que me deu ontem. Am I missing something?
Bom, agora a gerência da nossa empresa mudou. Vamos dar-lhe algum tempo para ver o que sabem e conseguem fazer, ou se vão meter os papelinhos nos 3 envelopes... mas isso é outra história.
Desculpem-me os anglicismos.